Crédito Paulo Whitaker/ Reuters

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta ontem, em sessão marcada por expectativas positivas sobre votação da reforma da Previdência e percepção de menor risco de greve de caminhoneiros no País, com Wall Street corroborando os ganhos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,41%, a 95.923,24 pontos. No melhor momento do dia, chegou a 96.315,40 pontos. O giro financeiro somou R$ 13,1 bilhões.

O pregão terminou enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados ainda analisavam a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para mudar as regras das aposentadorias.

No começo da tarde de ontem, representantes do governo e parlamentares anunciaram acordo com os partidos do Centrão para votar o texto, após negociações envolvendo demandas de deputados, incorporadas no parecer do relator da matéria.

De acordo com profissionais da área da renda variável, o acordo trouxe o alento de um desfecho ontem nas discussões na CCJ, embora o horizonte para a tramitação do texto continue sugerindo obstáculos.

Para Frederico Mesnik, sócio-fundador da Trígono Capital, o tom mais positivo desde a abertura do pregão teve, em parte, efeito do noticiário já na véspera sobre um possível acordo, com investidores esperando para ver como terminará a reunião na CCJ.

Ele também destacou como relevante componente para a alta a redução das ameaças esparsas de paralisação de caminhoneiros, após acordo de representantes da categoria com o governo dissipar intenção de alguns de deflagrar greve na próxima semana.

No ano passado, uma paralisação de cerca de 10 dias gerou desabastecimento de produtos em várias regiões, bem como afetou resultados de empresas e enfraqueceu ainda mais a já debilitada atividade econômica no País.

A trajetória positiva na bolsa paulista encontrou respaldo ainda no desempenho de Wall Street, onde o S&P 500 fechou em alta de 0,88%, na máxima histórica, com resultados corporativos acima do esperado.

Destaques – Mafrig avançou 6,97% e BRF subiu 6,86%, maiores altas do Ibovespa, conforme o setor de proteínas continua beneficiado por perspectivas de aumento de vendas para a China em razão do surto de peste suína africana naquele país. JBS subiu 3,84%. Minerva, que não está no Ibovespa, ganhou 8,86%.

Cielo valorizou-se 4,11%, antes da divulgação do balanço prevista para após o fechamento, um dia depois de encerrar na mínima desde fevereiro de 2012, reflexo do aumento da competição no setor de meios de pagamentos.

Apenas em abril, a ação acumulava até a segunda-feira (22) perda de 15,5%. O Itaú BBA espera resultado fraco no primeiro trimestre e não descarta revisão no guidance da empresa.

Kroton caiu 2,28%, maior queda do Ibovespa, revertendo os ganhos do começo do pregão, tendo no radar dados de captação de alunos. Analistas do BTG Pactual destacaram em relatório que os números ficaram abaixo das suas expectativas, mas vieram com melhor qualidade.

Itaú Unibanco PN avançou 1,28%, com o setor de bancos como um todo favorecido pelo tom mais positivo na bolsa, com Bradesco PN também em encerrando em alta de 2,43%, Banco do Brasil subindo 2,01% e Santander Brasil subindo 0,26%.

Petrobras PN fechou com acréscimo de 0,87%, favorecida também pela alta do petróleo no exterior.

Vale subiu 1,21%, em sessão de ajuste após recuar mais de 2% na véspera.

Dólar – O dólar ontem fechou em baixa ante o real, abandonando alta de mais cedo, conforme investidores colocaram nos preços expectativa de que a reforma da Previdência avance na Câmara dos Deputados.

A moeda norte-americana terminou em baixa de 0,26%, a R$ 3,9224 na venda. Ainda pela manhã de ontem, a cotação chegou a subir 0,82%, para R$ 3,9650. Na B3, a referência do dólar futuro tinha queda de 0,46%, a R$ 3,9200. O real esteve entre as moedas de melhor desempenho ante o dólar nesta sessão. (Reuters)