As mulheres estão mais inadimplentes do que os homens, aponta pesquisa da CDL-BH - Foto: CREDITOS: Jonas Bitter

Apesar da melhora em alguns indicadores macroeconômicos, a inadimplência continua a crescer na Capital. De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), o número de registros no cadastro de inadimplentes da cidade aumentou 1,97% em outubro na comparação com igual mês do ano passado. Esse é o quinto crescimento seguido nesta base de comparação e ainda reflete a alta taxa de desemprego.
Segundo explicação da economista da entidade, Ana Paula Bastos, embora os níveis de emprego estejam melhorando lentamente, ainda não atingiram patamar suficiente para reverter a curva da inadimplência. Com isso, os consumidores permanecem com dificuldades para honrar os compromissos financeiros.

“São dois fatores que têm colaborado para esta situação. Além do nível de desemprego que ainda está alto, o atraso no pagamento dos servidores públicos do Estado também tem refletido nas taxas de inadimplência da cidade”, apontou.

Na base de variação mensal a inadimplência também apresentou aumento, com alta de 1,36% sobre setembro.

Quando considerado o gênero, as mulheres são mais inadimplentes (1,28%) do que os homens (0,42%). De acordo com a economista, essa diferença é explicada pelo fato de o desemprego ser maior entre o público feminino e também pelo rendimento médio 29,7% menor do que o dos homens. Já entre as faixas etárias, os idosos (de 65 a 94 anos) seguem sendo os mais inadimplentes, com crescimento de 22,86%.

Por outro lado, segundo levantamento da CDL-BH, os consumidores da capital mineira estão com menos dívidas em atraso. Em outubro houve queda de 2,51% no número de débitos vencidos em relação ao mesmo mês de 2017. Conforme Ana Paula Bastos, a queda pode ser explicada pela leve melhora no cenário econômico que tem permitido com que os consumidores quitem alguns débitos.

“Os belo-horizontinos vêm tentando organizar sua situação financeira e realizar o pagamento de suas dívidas. Neste cenário, qualquer renda extra acaba se tornando uma oportunidade de quitar os pagamentos em atraso. Tudo isso para que, em um segundo momento, possam sair do cadastro de devedores e voltar ao mercado de consumo”, explicou a economista.

Na variação mensal houve aumento de 1,31% no número de dívidas em atraso. A maioria das dívidas (15,43%) está entre as pessoas com mais de 65 anos. Nessa faixa de idade encontram-se os aposentados que sofreram redução de renda e ao mesmo tempo tiveram suas despesas elevadas, favorecendo o aumento das dívidas.

Empresas – Por fim, o estudo da entidade mostrou que também no mês passado, na comparação com outubro de 2017, foi registrada alta de 6,18% no volume de empresas inadimplentes. Mas, apesar dos índices de inadimplência ainda crescerem, o ritmo é cada vez menor. Neste mesmo período do ano passado, a alta foi de 8,07%.

Neste caso, a especialista lembrou que a economia do País ainda não conseguiu retomar o ritmo de crescimento necessário para recuperar as perdas dos últimos três anos e permitir que os empreendimentos consigam quitar todos os seus débitos. Mas ponderou que já estamos em um ambiente econômico melhor. “Isso tem proporcionado um leve aumento nas vendas e nas receitas das empresas”, argumentou. Na variação mensal houve queda de 0,46% na inadimplência das empresas.