Após o setor de serviços, o comércio aparece em segundo lugar entre as áreas mais inadimplentes

O número de empresas inadimplentes em Minas Gerais avançou 4,88% em setembro no comparativo com igual mês do ano passado, sendo que na relação com agosto houve alta de 0,23%. Os dados foram divulgados ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). Segundo o presidente da entidade, Bruno Falci, a lenta recuperação da economia é a principal causa desse resultado. O relatório da CDL-BH aponta que “o ritmo lento de crescimento da atividade econômica impactou nas receitas das empresas e não permitiu que parte das dívidas fosse paga”.

De acordo com Falci, o setor esperava resultados melhores, o que não ocorreu devido à greve dos caminhoneiros, movimento que impactou fortemente a produção e o consumo. Ele cita ainda o período eleitoral como fator que interfere nos resultados. “Era para a gente estar com crescimento melhor na indústria e comércio, mas não conseguimos crescer o pretendido”, resume.

O setor de serviços é o que vem sendo mais impactado, com alta na inadimplência de 7,56% na base anual. De acordo com a CDL-BH, em Minas, no acumulado de janeiro a agosto deste ano, o setor de serviços sofreu queda de 0,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que impacta receitas e capacidade de pagamento. Em seguida vêm: o comércio, com alta de 3,57%; indústria, que apresentou elevação de 1,99%; outros (alta de 1,66%) e agricultura (aumento de 1,06%).

Já em relação ao número de dívidas das empresas, houve crescimento de 1,47% em setembro deste ano na comparação com igual mês do ano passado. Na passagem de agosto para setembro, foi registrada retração de 0,08%.

Consumidores – Quanto aos consumidores, também houve alta no número da inadimplência, que subiu 4,32% em setembro no comparativo com igual mês do ano passado. Segundo Falci, o quadro também está ligado à lenta recuperação da atividade econômica. Além disso, o relatório da CDL-BH aponta o alto índice de desemprego, a inflação acumulada do ano e o atraso no pagamento dos servidores estaduais como fatores que interferem no indicador.

Na passagem de agosto para setembro foi registrada retração de 0,61% na inadimplência. Esse resultado é atribuído ao pagamento do 13º salário dos aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no fim de agosto.

O número de dívidas em atraso caiu 1,48% na comparação setembro 2018/setembro de 2017. Já em setembro, na relação com o mês anterior, houve recuo de 0,78%.

“Efeito sanduíche” – A maior alta na inadimplência na base anual, de 29,68%, ocorreu entre as pessoas na faixa etária de 65 a 94 anos. Falci explica que tal situação ocorre devido ao chamado “efeito sanduíche”. São idosos que estão cuidando dos pais, mas também respondem pelos filhos e até mesmo pelos netos. Além disso, muitas vezes, eles têm que arcar com a queda nos ganhos devido à aposentadoria e com alta dos gastos com planos de saúde e remédios. Esse acúmulo de responsabilidades acaba dificultando o pagamento das dívidas.

Ainda segundo o levantamento da CDL-BH, o endividamento é maior entre as mulheres. No público feminino, no comparativo setembro 2018/setembro 2017, a alta da inadimplência foi de 3,48%, enquanto entre os homens foi de 2,35%. Essa diferença é explicada porque as mulheres vêm sofrendo mais com o desemprego e, em média, têm rendimento menor que os homens.