Crédito: Marcos Santos/usp imagens

Os índices de inadimplência em Belo Horizonte registraram arrefecimento em todas as bases comparativas, em abril, para pessoas físicas e jurídicas. No caso dos consumidores, houve retração de 0,26% na relação abril 2019/abril 2018, enquanto na passagem de março para abril a queda foi de 0,88%. Já em relação às empresas, houve queda de 0,57% na comparação de abril com o mês anterior, sendo a primeira retração registrada no período de cinco anos.

No comparativo de abril com igual mês de 2018, houve alta de 4,27%, ocorrendo redução no ritmo de crescimento, pois, no período anterior, o aumento tinha sido de 6,75%. Os dados foram divulgados ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

Economista da CDL-BH, Ana Paula Bastos informa que pesquisas da entidade apontam que os consumidores estão dando preferência para o pagamento à vista, pois muitos já estão endividados ou têm medo de perder o emprego. Com isso, a inadimplência vem caindo na capital mineira. No País, a inadimplência subiu 2% em abril no comparativo com igual mês de 2018.

“À medida que entra qualquer renda extra, as pessoas estão quitando seus débitos e consumindo à vista”, reforça. O número de dívidas dos consumidores teve queda de 3,84% em abril na comparação com igual mês de 2018. Já em abril na relação com o mês anterior, a redução foi de 1,6%.

A economista ressalta que o varejo não está vendendo como o esperado para 2019 devido a problemas da economia do País atribuídos à não aprovação das reformas estruturais e, ainda, à falta de medidas microeconômicas de curto prazo.

“Isso afeta a confiança dos empresários e consumidores”, diz. Nesse cenário, o consumo em ritmo lento também contribui para a queda da inadimplência.

Por outro lado, Ana Paula Bastos pondera que, mesmo com esses problemas, a situação econômica é melhor do que a dos três últimos anos de recessão.

“A taxa de juros em patamares menores ajuda na negociação de dívidas. A taxa de desemprego, mesmo elevada, começa a reduzir”, afirma.

Com isso, os empresários começam a ter fôlego para pagar suas dívidas. O número de dívidas das empresas da Capital, na comparação mensal (abril 19/março 19), apresentou retração de 1,39%. Já na variação anual (abril 19/abril 18), a quantidade de contas em atraso caiu 0,01%.

Perfil – No recorte por gênero, a pesquisa da CDL-BH aponta que a queda da inadimplência é mais acentuada entre os homens (-1,4%) do que entre as mulheres (-0,86%). Esse resultado é atribuído ao fato de o desemprego entre as mulheres ser maior. Além disso, as mulheres continuam recebendo salários menores.

Já quanto à idade, os devedores concentram-se principalmente entre as pessoas de 65 a 94 anos. Nessa faixa etária, a inadimplência cresceu 21%. A CDL-BH aponta que são pessoas responsáveis financeiramente pelas famílias e que têm custo de vida mais elevado devido a despesas com saúde.

Caixa pode dar abate de até 90% para clientes

Brasília – Cerca de 3 milhões de clientes em atraso com a Caixa Econômica Federal poderão renegociar as dívidas com desconto de até 90% no valor total, anunciou o presidente do banco, Pedro Guimarães. Segundo ele, o programa ajudará a estimular a economia.

“Com os descontos, a maioria das dívidas chegará a R$ 2 mil. Essa pessoa que está pagando 10% de juros ao mês poderá pagar juros de 2%”, disse Guimarães, ao chegar para reunião no Ministério da Economia.

Ele não deu data para o lançamento do programa. Apenas disse que a renegociação se concentrará em clientes com renda de até cinco salários mínimos. O presidente da Caixa destacou que o programa deverá recuperar pelo menos R$ 1 bilhão de um estoque total de débitos estimado em R$ 4 bilhões.

Para Guimarães, além de recuperar parte dos débitos, o programa tem a vantagem de diminuir o prejuízo da Caixa e permitir a retomada do crédito.

“São 300 mil pequenas empresas e 2,6 milhões de pessoas (físicas) que poderão renegociar as dívidas. Todos estão negativados. Esses recursos já estão lançados como prejuízo, fora do balanço. Essas pessoas estão à margem, e poderemos voltar a oferecer crédito, como o consignado”, explicou.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que a Caixa não deveria dar lucro como iniciativa privada. Segundo o ministro, o banco deveria repassar os ganhos para outros objetivos, como reduzir juros. (ABr)