Em 2017, a indústria da panificação no Brasil registrou incremento de 3,2% ante o ano anterior - CREDITO:ALISSON J. SILVA

Muito embora a recuperação da economia nacional em 2018 tenha ficado abaixo do esperado pelos analistas ainda no início do ano passado, o setor de panificação comemora os bons resultados. Faltando pouco para fechar o balanço do ano com os dados de dezembro – mês tradicionalmente bom para as padarias -, a estimativa é que os números sejam melhores do que os de 2017, quando, segundo dados do Instituto Tecnológico da Panificação, Alimentação e Confeitaria (ITPC), o setor de padarias e confeitarias registrou expansão de 3,2%, o que equivale a R$ 90,3 bilhões em receita no País. Em Minas, o setor estima para 2019 um crescimento de até 15%.

De acordo com o presidente da Associação Mineira das Indústrias de Panificação (Amip), Vinícius Dantas, esse desempenho é fruto de uma adaptação que o setor soube fazer às necessidades dos consumidores.

A busca por uma alimentação mais saudável e o sucesso dos programas de culinária que valorizam produtos de fabricação própria e artesanais também ajudam a explicar 2018. O sucesso dos pães de fermentação natural, por exemplo, é resultado disso.

“Trouxemos para dentro das padarias serviços como café da manhã completo e o self-service para o almoço, assim como novas receitas e produtos com foco na saudabilidade. E é possível fazer isso usando a criatividade, produtos da estação, sem elevação dos custos. A panificação está ficando mais versátil, prestando mais serviços e os estabelecimentos ficando cheios o dia inteiro. Antes eram só os picos da manhã e da tarde”, explica Dantas.

A panificação abarca mais de 7 mil empresas em Minas Gerais, distribuídas em 14 mil pontos de vendas. Estima-se que circulem, por dia, 4 milhões de pessoas pelas lojas, gerando cerca de 80 mil empregos diretos e outros 180 mil indiretos e movimentando em torno de R$ 9 bilhões por ano.

Aplicativos – A perspectiva para 2019 é de um crescimento ainda maior, que pode chegar a 15%. Para o executivo, esse será um ano de incremento da tecnologia a serviço das vendas. Será a vez dos aplicativos.

“A promessa de queda no desemprego anima as pessoas e isso sempre se reverte em consumo. Mas vai ter, realmente, bons resultados quem estiver atento às tendências e a tecnologia é uma das principais. O aplicativo, que tanto sucesso faz em diversos setores, vai chegar também às padarias. É uma maneira de atender o cliente com rapidez e promover uma opção de consumo em um momento em que a pessoa não quer sair de casa, substituindo o delivery considerado caro por boa parte dos consumidores”, pontua o presidente da Amip.