Dos 600 colaboradores do Instituto, cerca de 80% são de moradores da região e quase todos tiveram parentes, amigos ou propriedades atingidos - Marcelo Coelho

A tragédia que se abateu sobre Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), após o rompimento da barragem de rejeitos da mina Córrego do Feijão, de responsabilidade da mineradora Vale, no dia 25 de janeiro, continua impondo sofrimento e prejuízos para a cidade e o seu principal atrativo turístico: o Instituto Inhotim.

Considerado um dos principais equipamentos culturais do País e o mais importante museu de arte contemporânea a céu aberto do planeta, capaz de atrair visitantes do mundo inteiro, Inhotim vê as visitas rarearem apesar de estar a cerca de 20 quilômetros de distância da área atingida.

Enquanto o museu se engaja na luta por ajudar a reerguer Brumadinho, negócios ao seu redor também sentem os impactos. A Belvitur, operadora de turismo oficial do Instituto, por exemplo, atende diariamente pessoas com muitas dúvidas sobre o acesso ao museu, preocupadas com a contaminação da água e, até, se existem opções de hospedagem na cidade.

De acordo com a coordenadora de turismo – setor Inhotim, da Belvitur, Lívia Lopes, o transfer diário que sai do bairro Funcionários, na região Centro-Sul, já deixou de operar em alguns dias depois do desastre.

“Tivemos um janeiro muito bom, acima da média. Depois do dia 25, porém, a situação se inverteu. Ontem, por exemplo, não tivemos saída por falta de passageiros. O resultado final desse mês será, certamente, muito inferior ao que tivemos no ano passado. Isso impacta não apenas a nós, mas toda Brumadinho. Se as pessoas querem ajudar, a forma mais eficaz é justamente vir pra cá, se hospedar, conhecer Inhotim e outras belezas do entorno. A região atingida foi a rural, a cidade está preservada e em condições de receber todos os visitantes”, afirma Lívia Lopes.

A equipe ambiental do Inhotim analisou os mapas topográficos do entorno para assegurar que o Instituto não corre riscos. Além disso, a Defesa Civil assinou um laudo confirmando que a barragem B6 da Vale, em Córrego do Feijão, também não configura risco para o Instituto. Essa barragem de água já havia acendido o alerta de perigo das forças de segurança da região logo após o rompimento da barragem B1, também da Vale, mas já está com sua situação normalizada, de acordo com a Defesa Civil. A corporação informou, ainda, que até o final do mês de fevereiro o processo de drenagem da barragem B6 será concluído.

Para chegar ao Inhotim, o acesso pela BR-381 está liberado. Já os acessos via BR-040, passando por Retiro do Chalé, Casa Branca ou Piedade do Paraopeba, estão bloqueados. Os serviços de transporte da Belvitur e da Saritur já estão regularizados.

Para o diretor-executivo do Instituto Inhotim, Antonio Grassi, a retomada das atividades, que foram paralisadas entre o dia 26 de janeiro e 8 de fevereiro, são determinantes para a recuperação econômica e social da cidade. Dos 600 colaboradores do Instituto, cerca de 80% são de moradores da região e quase todos tiveram parentes, amigos ou propriedades atingidos. 41 funcionários que tiveram parentes diretos entre as vítimas da tragédia.

Ao abrir as portas, no dia 9, com entrada gratuita, o museu recebeu 3,5 mil visitantes. “Nosso primeiro trabalho foi acolher nossos colaboradores que também são vítimas disso tudo. Inhotim tem uma grande responsabilidade, pois é um grande empregador na região. O evento de abertura foi muito importante, agora precisamos dar continuidade, mostrar que o Inhotim continua funcionando e que Brumadinho está viva e apta a receber as pessoas. A imagem que roda o mundo é de uma cidade enlameada. Temos que trabalhar para que a informação correta alcance as pessoas, desenvolvendo projetos, envolvendo nossos parceiros”, destaca Grassi.