Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC 20/02/09

O cenário de incerteza econômica chegou à ponta da cadeia e está interferindo na intenção de compras do consumidor de Belo Horizonte, que também sente a influência dos altos índices de desemprego. Após registrar crescimento por oito meses consecutivos, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgado ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), apresentou queda de 1,3 ponto, passando de 97,1 pontos em março para 95,8 pontos em abril. Na comparação com igual mês do ano passado (87 pontos), o índice teve melhora de 8,8 pontos.

“O cenário de incerteza, de discussões políticas, gera dúvidas no mercado sobre a aprovação de reformas e sustentabilidade das contas públicas. Isso tem um peso maior para empresários e investidores. Mas também chega à ponta, influenciando o consumidor, que está inserido nesse cenário”, disse o economista da Fecomércio-MG Guilherme Almeida.

Ele também aponta que as altas no desemprego, mesmo que sazonais, são interpretadas de maneira negativa pelos consumidores. “O emprego é a base que sustenta as decisões familiares de consumo”, diz. O ICF varia de 0 a 200, com índice abaixo de 100 pontos revelando percepção de insatisfação.

Almeida pondera que não é possível ainda se falar em tendência para os próximos meses, inclusive porque em junho será comemorado o Dia dos Namorados, que exerce influência positiva sobre determinados segmentos do comércio.

Dos sete componentes do índice, quatro mostraram retração: emprego atual; perspectiva profissional, acesso ao crédito e momento para compra de bens duráveis. Os que tiveram alta foram: renda atual e perspectiva de consumo. Nível de consumo ficou estável.

O índice de emprego atual teve queda de 4,8 pontos, chegando em abril a 118,8 pontos, enquanto em março era de 123,5 pontos. Entre os entrevistados, 35,7% disseram se sentirem mais seguros agora do que em igual período do ano passado quanto ao emprego; 24,6% informaram situação igual; 16,9% disseram estar menos seguros; e 22,5% estão desempregados.

Sobre a perspectiva profissional, ou seja, se terá melhoria de trabalho no prazo de seis meses, o índice registrou queda de 5,5 pontos, passando de 120,1 pontos em março, para 114,6 em abril. A maioria dos entrevistados – 54,7% – acha que o responsável pelo domicílio terá alguma melhora profissional nos próximos seis meses. Outros 40,1% acham que não haverá tal melhora. Os demais não souberam responder.

Quanto à renda atual, o índice teve uma pequena melhora, chegando a 114,6 pontos em abril, com alta de 0,9 ponto frente a março (113,7). Entre os consumidores, 34,7% notaram melhora da renda, 44,5% relataram estabilidade, e 20,2% informaram ter tido piora.

O nível de consumo mostrou estabilidade, ficando em 73 pontos. Mas, para 43,6% dos entrevistados, a família está consumindo menos do que em igual período do ano passado. Outros 39,6% responderam que estão comprando o mesmo tanto, enquanto 16,5% informaram que estão consumindo mais.

A perspectiva de consumo para os próximos meses mostrou elevação de 3 pontos, saindo de 103,2 pontos em março e chegando a 106,2 pontos em abril. Para 63,3% dos entrevistados, o consumo tende a crescer ou permanecer igual, enquanto 33,8% acham que terá queda.

Crédito – O índice de acesso ao crédito atingiu 84,7 pontos nesta avaliação, resultado 1,5 ponto inferior ao obtido em março (86,2 pontos). Comparando com o ano passado, a maior parte – 40,1% – informou ter notado piora no acesso ao crédito. Os que notaram melhora foram 24,8%, enquanto 15,4% responderam ter percebido estabilidade. Outros 19,8% não responderam.

Quanto ao consumo de bens duráveis – muito dependente de crédito –, o índice chegou a 58,7 pontos, resultado 0,9 ponto inferior ao da última pesquisa (59,6). Em relação aos bens duráveis, 65,7% acham que esse é um momento ruim para tais compras, enquanto 24,4% acham que é um período positivo. Dos entrevistados, 8% não souberam responder.