Os preços de Educação pressionaram em fevereiro em um movimento sazonal e a inflação oficial do Brasil acelerou a alta no mês, mas ainda assim o cenário é de preços benignos neste ano com o avanço em 12 meses abaixo do centro da meta do governo.


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu em fevereiro 0,43%, após 0,32% no primeiro mês do ano. O resultado foi o mais elevado desde outubro (+0,45%) e o mais forte para o mês em três anos.


Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, em 12 meses, o IPCA registrou avanço de 3,89%, de 3,78% em janeiro.

Apesar do avanço, o índice permanece abaixo do centro da meta oficial de inflação do governo para 2019, de 4,25% pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.


“A alta do IPCA de fevereiro já era esperada dada a força do grupo Educação, que sempre sobe em meses de fevereiro. É algo que já estava na conta”, disse o economista do IBGE Fernando Gonçalves.


Educação acelerou a alta em fevereiro a 3,53%, de 0,12% no mês anterior. O avanço reflete os reajustes realizados no início do ano letivo, pressionado principalmente pelo aumento de 4,58% nas mensalidades dos cursos regulares, maior impacto individual sobre o IPCA do mês (0,15 ponto percentual).


Ainda assim, a taxa de variação de Educação foi a mais fraca para um mês de fevereiro desde 2008 (3,47%), devido à fraqueza do cenário inflacionário, mas também da demanda.


“As mensalidades carregam normalmente a inflação anterior, mas tem o fator demanda também. Muitas escolas particulares estão segurando os aumentos para reter os alunos, já que em anos anteriores houve uma fuga para escolas públicas”, completou Gonçalves.


Alimentação e Bebidas, por outro lado, desacelerou a alta em fevereiro a 0,78%, de 0,90% antes, mas ainda assim exerceu o maior impacto no IPCA devido a seu peso. “O movimento de aceleração de janeiro para fevereiro foi liderado pelo grupo Educação, embora o impacto dos alimentos tenha sido maior. Como o peso é maior dos alimentos, eles tiveram uma participação maior na taxa final”, explicou Gonçalves.


Também mostrou alívio a inflação de serviços, que foi de 0,39% em fevereiro, após alta de 0,50% em janeiro. Com isso, em 12 meses, serviços desacelerou o avanço a 3,35%, menor patamar desde novembro (3,32%).

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Expectativas – As perspectivas para a inflação em 2019, mesmo com a pressão maior no início do ano, permanecem confortáveis, com um ritmo moderado de crescimento econômico e a lenta recuperação do mercado de trabalho no Brasil contendo altas mais contundentes de preços.


A pesquisa Focus mais recente do Banco Central realizada junto a uma centena de economistas mostra que a expectativa para este ano é de uma inflação de 3,87%, indo a 4,00% em 2020.


O BC vem indicando que só a lenta atividade econômica e a inflação bem comportada não são suficientes para abrir espaço para eventual queda da taxa básica de juros, estacionada há quase um ano na mínima histórica de 6,5% ao ano.


O novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já sinalizou que deve manter a atual postura do BC na condução da política monetária, ao pontuar que cautela, serenidade e perseverança são valores que devem ser preservados.