No grupo Alimentação, os produtos hortifrutigranjeiros apresentaram as maiores variações

Impactada principalmente pela greve dos caminhoneiros e pelo aumento no preço da gasolina, a inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) fechou 2018 com alta de 4%, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado na sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador ficou acima do registrado em 2017, que foi de 2,03%, e foi superior ao IPCA nacional, que ficou em 3,75% no ano passado. A RMBH apresentou o quinto maior índice inflacionário entre as regiões pesquisadas, ficando atrás de Porto Alegre (4,62%); Rio de Janeiro (4,30%); Vitória (4,19%) e Salvador (4,04%).

Os itens que apresentaram as principais elevações de preço no acumulado do ano, na RMBH, foram gasolina, com aumento de 13,35%, e energia elétrica, com alta de 15,04%. Outros destaques de aumento no preço foram tomate (+93,63%); cebola (+43,4%); maçã (+36,02%), batata (+24,31%) e macarrão (+10,9%). Esses itens fazem parte dos grupos habitação, transporte e alimentação, que juntos respondem por 66% do IPCA.

O coordenador da pesquisa IPCA/RMBH do IBGE, Venâncio Otávio Araújo da Mata, considera que, apesar de estar acima ao do ano anterior, o índice inflacionário se mantém em níveis baixos e ficou menor que o centro da meta fixada pelo Banco Central, que é de 4,5% ao ano. “Se não fosse a ocorrência de fatores não controláveis, como a paralisação dos caminhoneiros, a inflação de 2018 estaria próxima à do ano passado. Em junho, por causa da paralisação, houve um pico na inflação que se refletiu no acumulado do ano”, explica. O IPCA para a RMBH em junho foi de 1,86%, sendo que a greve dos caminhoneiros aconteceu em maio.

Ainda segundo o pesquisador, a dificuldade econômica que o País vive também segura a inflação. “O comércio não está tendo brecha para aumentar os preços, já que a população está com poder aquisitivo menor”, comenta.

No acumulado do ano, dos nove grandes grupos pesquisados pelo IBGE, oito apresentaram alta. São eles: habitação (5,18%); transportes (4,79%); educação ( 4,44%); artigos de residência (4,35%); saúde e cuidados pessoais (4,30%); despesas pessoais (3,93%); alimentação e bebidas (3,79%); vestuário (0,83%). O único grupo que mostrou deflação foi comunicação, com queda de 0,15%.

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Inflação oficial recuou em dezembro

Dezembro – A inflação na RMBH teve uma pequena variação positiva de 0,01% em dezembro, tendendo à estabilidade. No País, o índice ficou em 0,15% e foi o menor registrado desde a criação do Plano Real, em 1994.

De acordo com Venâncio Araújo, a retração no preço dos combustíveis, principalmente da gasolina, cujo valor caiu 3,99% na RMBH, segurou a inflação em dezembro, mesmo com a ocorrência das festas natalinas, que pressionam os preços para o alto. Entre os itens de alimentação que apresentaram retração estão tomate (-10,62%) e leite longa vida (-9,58%).
Por outro lado, as principais altas ficaram por conta da banana-prata (+23,7%), cebola (+22,92%) e batata-inglesa (+20,01%). No grupo de artigos de residência, o item com maior aumento de preço foi o micro-ondas, com alta de 3,38%.

Já no grupo de cuidados pessoais, os itens perfume, com alta de 6,50%, e produto para pele, com aumento de 5,35%, pressionaram a inflação para cima. Nesse caso, o impacto pode ter vindo da Black Friday. Em novembro, quando a promoção foi realizada, os preços caíram, mas voltaram ao valor cheio em dezembro.

No grupo habitação, energia elétrica teve alta de 1,54%, mesmo com a bandeira tarifária tendo passado da vermelha para a verde. Segundo o pesquisador, isso ocorreu porque no mesmo período houve alta do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Em dezembro, na RMBH, os grupos que tiveram alta foram artigos de residência (1,10%); saúde e cuidados pessoais (0,75%); habitação (0,52%); vestuário (0,36%); despesas pessoais (0,31%); educação (0,14%) e comunicação (0,07%). Os que registraram queda foram transporte (-1,39%) e alimentação e bebidas (-0,15%).