São Paulo – A gigante de alimentos JBS fez seu primeiro pedido de carregamento de milho importado neste ano para ser usado como ração em unidades de processamento de carne no sul de Santa Catarina, disse ontem uma fonte com conhecimento direto da decisão.

A fonte, falando em condição de anonimato por conta de a informação não ser pública, declarou que a empresa recorreu à importação de milho renovando uma prática que se tornou comum por vários meses a partir de março passado.

A proximidade de Santa Catarina com Paraguai e Argentina dá aos processadores locais de carne um incentivo para buscar milho de fora em vez de comprar dos principais produtores brasileiros, especialmente devido aos valores de frete definidos pelo governo, que muitos no mercado consideram exorbitantes.

A JBS está programada para importar, inicialmente, cerca de 30 mil toneladas de milho da Argentina, disse a fonte, acrescentando que outros carregamentos estão sendo considerados.

No ano passado, a JBS importou o equivalente a cinco embarcações da Argentina contendo carregamentos de 30 mil a 35 mil toneladas de milho cada, informou a fonte.

O movimento sugere que esses processadores de carne, com capacidade para alternar fornecedores, têm melhores chances de proteger as margens operacionais, dada a pouca infraestrutura do Brasil e a insegurança legal decorrente dos preços de frete estabelecidos pelo governo no ano passado, após a greve dos caminhoneiros. “Outros players estão procurando por alternativas no mercado”, destacou a fonte. “Mas eles estão mais lentos para tomar decisões”. A JBS não comentou o assunto de imediato.
A rival BRF, maior processadora de frango do Brasil e maior exportadora mundial, também não comentou imediatamente.

Tabelamento dos fretes – A fonte declarou que as empresas, em geral, estão relutantes em assumir riscos quanto ao frete, devido ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não ter julgado os processos que contestam a legalidade da decisão do governo quanto ao tabelamento dos fretes.

A fonte disse que o fato de os agricultores brasileiros estarem segurando vendas à medida em que esperam por maiores preços do milho é outro fator que leva a JBS a comprar da Argentina. “Isso, juntamente com fretes mais caros no Brasil, faz da importação do milho atrativa”, declarou a fonte. (Reuters)