Atualmente, não dá para falar de Jeep sem mencionar a Fiat. A montadora italiana nunca teve tradição no fora-de-estrada e, mesmo na Europa, não oferecia muitas opções de veículos 4×4. Apenas alguns modelos compactos, como o Panda e o Sedici e a picape média Fullback, ofereciam este recurso.
Na verdade, o Sedici era um Suzuki SX4 e, a Fullback, uma Mitsubishi L200. Da Fiat, só tinham o nome.

No Brasil, a Fiat foi a precursora dos modelos com aparência off-road quando lançou a grife Adventure, primeiramente na Palio Weekend, depois estendida a outros modelos. Além da aparência diferenciada, eles ganharam suspensões elevadas, pneus de uso misto e até um sistema de bloqueio da tração dianteira que ajudava transpor trechos de terra e lama, mas nada suficiente para construir uma forte imagem aventureira associada à marca.

É difícil precisar a origem desse desejo coletivo por veículos “não urbanos”, mas temos nosso palpite: com o excesso da industrialização pelo planeta, principalmente após a Segunda Grande Guerra, o ser humano se afastou do natural, passou a viver em grandes cidades e de forma muito artificial, longe da terra, das suas origens.

Querer um carro com aptidão para o fora de estrada representa a possibilidade de que a pessoa retorne à naturalidade perdida. Mesmo que ela jamais tome essa rota para o campo, saber que seu carro pode levá-la, ou aparentar poder, conforta.

Divagações à parte, o certo é que nunca foram vendidos tantos utilitários esportivos e picapes na história da indústria automotiva. Tanto que a Fiat comprou a Chrysler, dona da marca mais off-road do mundo, a Jeep.
Da união das duas empresas surgiu a FCA (Fiat Chrysler Automobiles). E a montadora italiana acertou o alvo: ao lançar produtos mais apropriados ao grande mercado, como o Renegade e o Compass, ela o fez resgatando toda a história e o DNA da Jeep em cada detalhe de estilo, além de manter a sua conhecida aptidão para superar obstáculos.

Mercado – Essa receita agradou em cheio o consumidor brasileiro que transformou o Renegade em um sucesso de vendas, disputando mês a mês a liderança do mercado de SUVs compactos com o Honda HRV, deste que foram lançados em 2015.

Em 2016, foi a vez do Jeep Compass, SUV médio com acabamento e conforto de carro de luxo e preço próximo aos SUVs compactos. Não deu outra: em pouco tempo ele superou os números do irmão menor e de todos os outros concorrentes, fechando os anos de 2017 e 2018 como o mais vendido entre todos os SUVs oferecidos no Brasil.

Neste começo de ano, o compacto surpreendeu o médio. Segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em janeiro foram emplacados 4.783 unidades do Jeep Renegade contra 4.109 do Jeep Compass. Fechando o pódio, o Honda HRV, com 3.667 emplacamentos.

Protagonistas tradicionais do mercado de SUVs, os três foram os primeiros do segmento a figurarem na lista dos 10 automóveis mais vendidos, façanha que também ocorreu com outros concorrentes lançados posteriormente. Todos estes dados mostram a força desta categoria que deverá representar 30% das vendas totais de veículos até 2022 na América do Sul.

Reestilização – A linha 2019 do Renegade recebeu a primeira reestilização desde seu lançamento, em 2015. As mudanças foram poucas. O conjunto grade e faróis ficou mais estreito, recortado e posicionado mais para cima, ao ponto do capô esconder uma parte maior dos faróis, conferindo um “olhar” mais invocado ao modelo.

O para-choque dianteiro foi redesenhado na parte inferior, ampliando o ângulo de ataque para 30°, pois o anterior raspava até em entradas de garagens. A tampa do porta-malas ganhou maçaneta exposta no lugar da antiga que era escondida no vão entre a peça e o para-choque.

O refletor lateral agora é branco, antes era laranja. Incrivelmente, observar este detalhe é a forma mais fácil de identificar o modelo 2019 do Renegade, de tão sutis as diferenças promovidas. No mais, todas as rodas ganharam novos desenhos.

Internamente, a grande mudança foi a adoção do sistema multimídia de 8,4 polegadas, o mesmo do Jeep Compass. O painel que agrupa os botões de comandos do som e do ar-condicionado também ficou com layout parecido ao do irmão maior. Alguns novos nichos e pequenos detalhes de acabamento completam as novidades.

  • Colaborador