Do total de startups criadas em Juiz de Fora, 45,71% desenvolvem softwares como serviço - Foto: Marcelo Metzker/Divulgação

Localizado na Zona da Mata mineira, o município de Juiz de Fora chama a atenção pelo movimento de formação de startups. De acordo com o mapeamento do ecossistema de startups da região Sudeste, divulgado recentemente pela Associação Brasileira de startups (ABStartups), a cidade conta com 45 startups. Mas, se por um lado a cidade se destaca em formação de talentos que estão criando seus próprios negócios, por outro, deixa a desejar em relação ao ambiente regulatório ainda pouco atrativo para essas empresas e às escassas conexões com o mercado e investidores.

O mapeamento é uma iniciativa da ABStartups junto às comunidades locais e tem o objetivo de fortalecer esses ecossistemas que estão afastados das capitais. De acordo com o comunity manager da entidade, Marcos Medeiros, a associação vai mapear 30 comunidades de startups no Brasil e divulgar, semanalmente, os dados de três delas por região. Até o momento, já foram divulgados mapeamentos de 12 cidades. Os três últimos, divulgados essa semana, compõem o levantamento do Sudeste e são de Juiz de Fora, São José dos Campos, em São Paulo, e Vitória, no Espírito Santo.

“Quando se fala em startups só se pensa em grandes polos como São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis. Mas há muitos talentos e cases de sucesso em outras regiões e nós queremos mostrá-las. Os mapeamentos são para trazer mais visibilidade e conexão para essas comunidades afastadas das capitais”, afirma Medeiros. Segundo ele, das 30 comunidades que serão mapeadas, três são de Minas Gerais. Além de Juiz de Fora também receberão o levantamento Uberlândia e Uberaba, localizadas no Triângulo Mineiro.

O mapeamento da comunidade de Juiz de Fora mostrou que a cidade abriga 45 startups. Do total delas, 45,71% desenvolvem softwares como serviço (SaaS); 14,29% são especialistas em marketplace e 8,57% atuam nos segmentos de varejo e atacado. As principais áreas de atuação das startups são: telecomunicação, saúde e bem-estar.

Entre os pontos positivos apontados pelo mapeamento na comunidade está a difusão da cultura de startup. A associação mediu isso pela quantidade de eventos realizados sobre o tema, assim como a presença de cases de sucessos e lideranças locais que funcionam como “evangelistas”, além de canais de informação sobre o assunto.

O estudo levantou 13 eventos que acontecem na cidade como inspiração do ecossistema de startups e outros cinco eventos com conteúdo técnico ou mais avançado. Entre os cases de sucesso foram mencionadas 13 startups, como a Qranio, que desenvolve software na área de educação e treinamento corporativo; a HiDoctor, que oferece software para consultório médico; e a Guiando, que desenvolveu um software para gestão de custos nas empresas.

“A realização de eventos é essencial para a troca de experiência dos empreendedores e para manter a comunidade ativa e atrativa para aceleradoras, empresas e imprensa. Da mesma forma, a presença de cases de sucesso é muito importante para influenciar novos empreendedores. O empreendedor que nasce na cidade vai olhar para essas lideranças que também são dali e se sentir motivado a traçar o mesmo caminho”, analisa Medeiros.

O mapeamento também trouxe as estruturas de suporte do ecossistema em Juiz de Fora. Ao todo foram levantados cinco espaços de trabalho, uma incubadora (CRITT/UFJF) e uma aceleradora (Cohub), além de programas de mentoria, grupos de desenvolvimento e estruturas de apoio contábil e jurídico. O estudo também listou sete universidades relevantes e com programa voltado para o empreendedorismo e uma escola técnica (Ifet Juiz de Fora), o que aponta para uma estrutura robusta na formação de talentos.

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Falta conexão entre os atores do ecossistema

Pontos de alerta – No quesito “ambiente regulatório”, Juiz de Fora só se destaca por cobrar a alíquota mínima de 2% do ISS para empresas de tecnologia da informação. A iniciativa é positiva, mas foi a única apresentada. O estudo não conseguiu mapear pessoas de órgãos oficiais que se relacionam com a comunidade e nem processos que agilizam a abertura de empresas na cidade.

O mapeamento também deixou claro que o acesso ao mercado não é facilitado na cidade. No quesito é analisado o relacionamento das startups com grandes empresas e com projetos de conexão para fora da cidade. Mas, o estudo da AB startups não conseguiu mapear nenhum case que reflita esse relacionamento e nem programas de fomento do ecossistema com patrocínio de empresas locais.

“O levantamento mostra que as grandes empresas de Juiz de Fora ainda não estão conectadas com a comunidade de startups. É importante que elas saibam que podem se envolver de diversas formas: patrocinando eventos, criando programas de aceleração, recebendo projetos do ecossistema. O mapeamento é provocador nesse sentido porque mostra onde há deficiência e onde a comunidade precisa atuar”, afirma.