Rio – A 1ª Vara Cível da Comarca de Itabira, na região Central do Estado, atendeu pedido do Ministério Público de Minas Gerais para que a Vale suspenda as atividades nas barragens Dique Minervino e Dique Cordão Nova Vista, até apresentação de nova declaração de estabilidade, de acordo com decisão judicial vista pela Reuters ontem.

Segundo a mineradora, a determinação judicial sobre as duas barragens “não tem impacto significativo nas operações da Mina Cauê, pois a Vale passou a direcionar a descarga da usina de Cauê para outras estruturas, que não interferem nos referidos diques”.

Na sexta-feira, a Vale havia informado que sobre o cumprimento de outra decisão judicial que determinou a suspensão da barragem Doutor e demais estruturas de sua mina de Timbopeba, em Ouro Preto.

Segundo a companhia, a decisão sobre a barragem Doutor afeta as operações da mina de Timbopeba e representa um impacto de 12,8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

De acordo com uma nota de analistas do Jefferies, em meio aos desdobramentos do rompimento da barragem de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ao final de janeiro, a maior produtora global de minério de ferro já foi levada a suspender uma capacidade de 83 milhões de toneladas.

Com temores sobre a oferta, os futuros do minério de ferro na China chegaram a subir mais de 3% ontem, para máxima em duas semanas.

Em cumprimento à decisão sobre as barragens Dique Minervino e Dique Cordão Nova Vista, a empresa também informou que interrompeu as obras de manutenção no dique 2 do sistema Pontal.

“Além disso, reforçou a vigilância e providenciará o cercamento de toda a área para evitar o acesso da população. As comunidades dos bairros próximos serão informadas sobre estas ações de bloqueio à área”, afirmou em nota a companhia, em cumprimento à decisão judicial.

A determinação é para que a mineradora suspenda ainda qualquer tipo de atividade de construção, alteamento ou obras de qualquer natureza, exceto reparatórias ou de implementação da segurança, incluindo perfuração e trânsito de veículos que possam causar vibração em áreas próximas às barragens.

Segundo a companhia, a decisão judicial se baseou em notificação recebida pelo Ministério Público contendo informações preliminares sobre os diques Minervino e Cordão Nova Vista.

A empresa ainda ressaltou que esses diques possuem declaração de estabilidade emitida em setembro de 2018. (Reuters)