A AngloGold Ashanti em Sabará poderia estar com metade da produção de rejeitos empilhada a seco

Não fosse a morosidade da aprovação dos licenciamentos ambientais por parte do governo do Estado, a implementação da técnica de empilhamento de rejeitos a seco da AngloGold Ashanti na unidade Cuiabá, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), já contemplaria pelo menos metade da produção na unidade. Os pedidos foram protocolados na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) em março de 2018 e até o momento não foram liberados.

Trata-se do Projeto de Ampliação e Reconceituação do Sistema de Disposição de Rejeitos, cuja capacidade chegará a 24,5 milhões de toneladas somente na unidade. De acordo com o gerente de metalurgia da planta de Sabará, Alexandre Ferreira Freitas, atualmente, cerca de 30% dos rejeitos do ativo já são dispostos por esta técnica. A meta é que até 2022, 100% das operações sejam contempladas, permitindo assim, a desativação da barragem existente na unidade.

Também no ano passado, em setembro, a empresa entrou com o mesmo pedido para ampliação da disposição a seco de rejeito na planta de Córrego do Sítio, em Santa Bárbara, na região Central. Na unidade, cerca de 40% do rejeito produzido já é tratado em pilhas e disposto a seco.
Procurado pela reportagem, a Semad não respondeu os questionamentos até o fechamento desta edição.

Plano – Ambos os projetos fazem parte dos aportes de R$ 400 milhões da mineradora, iniciados em 2009 e que, além do empilhamento a seco contemplam o beneficiamento do minério nas duas unidades (Cuiabá e Córrego do Sítio, em Santa Bárbara, na região Central).

“O processo de empilhamento a seco se difere bastante do método tradicional de disposição de rejeitos na mineração. Embora nossa barragem seja do método de alteamento a jusante e com material argiloso compactado a 97%, seu descomissionamento já está sendo elaborado e depende também da efetivação deste novo método, que além de mais seguro, é mais moderno”, explicou o gerente em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO COMÉRCIO.

Para isso, dos R$ 400 milhões, R$ 150 milhões estão sendo aplicados especificamente na técnica, que utiliza de bacias de desaguamento para drenar os rejeitos e encaminhá-los para o empilhamento.

Hoje, a unidade Cuiabá conta com quatro bacias, sendo três em operação. A AngloGold aguarda a devolutiva do órgão ambiental para dar início às obras de implantação e operações de mais oito, visando a implementação completa do método. “Assim que as licenças forem aprovadas, imediatamente iniciaremos a construção, que poderá levar de três a sete dias para cada bacia, de acordo com os tamanhos. Já as operações ocorrerão imediatamente após a construção”, revelou.

Dessa forma, Freitas explicou que, o quanto antes as licenças forem liberadas, mais rapidamente ocorrerá a substituição da técnica de disposição de rejeitos em ambas as unidades, podendo, inclusive, antecipar o calendário oficial, que prevê inicialmente as datas de 2021 para Córrego do Sítio e 2022 para Cuiabá.

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De maneira detalhada, ele explicou que depois que o minério bruto é processado, o rejeito é levado na forma de polpa para disposição e processado em um circuito de desaguamento, que inclui adensamento da polpa com espessamento e filtragem (secagem) com filtros de discos cerâmicos. A partir daí, o próximo passo é o transporte do rejeito seco por caminhões, dispondo-os em forma de pilha.

“Como também ocorrerá a disposição de estéril no local, ao longo do tempo, a área será considerada uma pilha de codisposição de rejeito seco e estéril.

Por fim, a água proveniente deste novo processo é tratada para reutilização na operação da unidade, tornando a técnica ainda mais segura no aspecto geotécnico e ambiental, minimizando o consumo de água na operação de tratamento do rejeito”, detalhou.