Egawa destaca a chegada dos japoneses, especialmente da Nippon, para a construção da primeira siderúrgica de Minas

Um livro que celebra a relação entre japoneses e brasileiros, especialmente os mineiros, na construção da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e da cidade de Ipatinga, no Vale do Aço. Este é o “Memórias – uma história feita de encontros”, lançado ontem no município pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, em parceria com a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC).

Com fotos e depoimentos inéditos, a publicação faz parte das comemorações dos 110 anos da chegada do navio Kasato Maru com os primeiros imigrantes japoneses às terras brasileiras e dos 60 anos do Acordo Lanari-Horikoshi, documento que oficializou a parceria industrial entre Japão e Brasil na área de siderurgia e a participação da Nippon naquela que veio a se tornar a maior produtora de aços planos da América Latina: a Usiminas.

Ao todo, 17 personagens resgatam histórias de encontros entre as culturas, aprendizados que perduraram mesmo com o passar dos anos e legados transmitidos de geração para geração. Entre os entrevistados, ex-funcionários e funcionárias, dois dos chamados “Sete Samurais” (que foram até o Japão, na época da construção da Usiminas, para aprender o ofício), moradoras antigas da cidade, filhos de operários que cresceram em meio à cultura nipônica, a esposa do ex-presidente da companhia Rinaldo Campos Soares, Maria da Conceição Soares, o ex-presidente da siderúrgica Rômel Erwin de Souza e o prefeito Nardyello Rocha.

Na carta ao leitor, o diretor para as Américas da NSSMC, Kazuhiro Egawa, destaca a chegada dos japoneses ao Brasil, especialmente os enviados pela Nippon para construírem a primeira usina siderúrgica de Minas Gerais. Para o executivo, a publicação é mais do que um registro de algumas das centenas de histórias de descobertas, adaptação, trabalho e vida que formaram a trajetória da Usiminas e de Ipatinga.

“Este livro é um testemunho real de que, quando trabalham em busca de um objetivo em comum, povos de culturas e hábitos distintos podem conviver e desenvolver laços de amizade duradouros”, destacou.

Egawa lembra que os personagens do livro representam todos aqueles que de alguma maneira se relacionaram ou se relacionam com a companhia e que a publicação é uma forma de agradecer a todos que fizeram parte da história da Usiminas. “Por meio dos relatos percebemos que todos possuem orgulho da empresa e da cidade”, diz.

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Crença no impossível – O diretor-presidente do DIÁRIO DO COMÉRCIO, Luiz Carlos Motta Costa, por sua vez, define a chegada dos japoneses ao Brasil e, especialmente, a Minas Gerais, como marco incontestável para a expansão e modernização da indústria do Estado. Ele conta como o jornal contribuiu para a construção dessa história.

“O DIÁRIO DO COMÉRCIO foi, ao mesmo tempo, personagem e narrador dessa história. Isso nos faz ver, com orgulho, que o jornal cumpriu seu papel, reforçando a certeza de que este caso de sucesso contém a melhor receita para a construção do futuro. E, em momentos difíceis como o que vive o Brasil, é importante que divulguemos parcerias equilibradas e saudáveis. Se lá atrás não tivesse havido a crença no impossível, não estaríamos aqui hoje”, ressaltou.

Costa lembra que a relação agregou para ambos os povos. Para os que atravessaram o mundo até chegarem a Ipatinga, diz, a aventura da construção da usina marcou o acolhimento por parte brasileiros no pós-guerra, abrindo as portas para a internacionalização de sua economia e investimentos que se espalharam pelo mundo.
Segundo o jornalista, a diversidade da experiência de cada um dos depoimentos traduz algo comum entre os 17 personagens, convergindo na descoberta do outro e na empatia que respeita e aproxima as diferenças.

“Desses relatos brota um senso coletivo de que a relação com os japoneses, mesmo quando não havia intimidade ou contato direto, foi capaz de influenciar o modo de vida, de pensar e de agir de uma comunidade”, avaliou.