Crédito: Ricardo Moraes/Reuters

A Vale anunciou ontem que obteve lucro líquido de R$ 25,657 bilhões em 2018. O resultado representa um incremento de 45,5% na comparação com o exercício anterior, quando somou R$ 17,627 bilhões. Por outro lado, a companhia informou que realizou uma baixa contábil de R$ 480 milhões em função do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

No balanço em dólar, a companhia reportou lucro de US$ 3,786 bilhões no quarto trimestre de 2018, quase cinco vezes maior que o registrado um ano antes, de US$ 771 milhões.

Maior produtora global de minério de ferro, a empresa teve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$ 4,467 bilhões, nos últimos três meses de 2018, alta de 8,7% ante o mesmo período de 2017.

O Ebitda ajustado de minerais ferrosos foi de US$ 4,115 bilhões no quatro trimestre, ante US$ 3,96 bilhões no terceiro trimestre, principalmente devido a maiores preços e menores custos de frete. Um ano antes, foi de US$ 3,427 bilhões.

“O custo médio de frete marítimo foi impactado positivamente pelo aumento da utilização da frota de navios Valemax 2ª geração nas operações”, disse a empresa no relatório financeiro.

“A Vale definiu o preço de referência para os contratos de pelota de 2019, resultando em uma potencial maior realização de preços nas vendas de pelotas.”

O resultado tem a contribuição da qualidade do minério vendido pela companhia. No período, a Vale registrou um prêmio de qualidade para finos de minério de ferro de US$ 8,1 por tonelada, ante 8,6% no terceiro trimestre, mas mais que o dobro do verificado no último trimestre de 2017 (US$ 3,9/tonelada).

Incluindo pelotas, o prêmio de qualidade foi de US$ 11,5/tonelada no quarto trimestre, versus US$ 5,7 no mesmo período de 2017.

A Vale informou ainda que o preço realizado de finos de minério de ferro (CFR/FOB) foi de US$ 68,4/tonelada no quarto trimestre, versus US$ 63,1 no mesmo período do ano anterior.

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Baixa – A mineradora informou que realizou baixa contábil de R$ 480 milhões pela mina de Córrego do Feijão, relacionada à estrutura que colapsou em Brumadinho, e também por ativos relacionados a barragens a montante. A baixa contábil já deve ter algum impacto no resultado do primeiro trimestre da companhia.

Além disso, a empresa afirmou que celebrou um acordo parcial com o Ministério Público do Trabalho para indenizar empregados diretos e terceirizados da mina de Córrego do Feijão, estimando provisionamento de R$ 850 milhões em 2019.

Em um acordo preliminar com o Estado de Minas Gerais e governo federal, para realizar pagamento emergencial aos moradores de Brumadinho e comunidades próximas, a companhia estimou inicialmente uma provisão de R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões, a depender do número de beneficiários.

A empresa ainda ressaltou que está avaliando passivos potenciais que podem surgir com colapso da barragem de Brumadinho, ponderando que ainda não é possível fornecer estimativas confiáveis.

A mineradora informou também que, ao todo, cerca de R$ 16,9 bilhões em ativos da companhia estão bloqueados por autoridades em função de desastre.

O rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da Vale, em 25 de janeiro, atingiu instalações da companhia, comunidades, mata e rios da região, deixando mais de 300 vítimas, entre mortos e desaparecidos.