Sebastião Alvino Colomarte*

Um dos grandes desafios da educação brasileira está associado às desigualdades socioeconômicas das diversas regiões do País. O problema é maior quando se trata do ensino público que, salvo algumas exceções, precisa ser revisto e melhorado. O grande dilema vivenciado pelos profissionais do ensino é estimular os alunos, principalmente quando esses não têm as mínimas condições de infraestrutura e tecnologia adequadas.

O avanço tecnológico impõe transformações no modelo de ensino, mas é notório que sem estrutura física e bons equipamentos, obviamente, será impossível oferecer educação de qualidade. Além disso, a tecnologia não substitui a figura do professor. A experiência e o preparo do mestre são fundamentais para que o processo ensino-aprendizagem seja bem-sucedido.

Ao longo das últimas décadas, assistimos ao gradual sucateamento do sistema de ensino da rede pública. Escolas que outrora eram referência em ensino por oferecer gratuitamente uma educação de qualidade perderam as condições mínimas devido à falta de investimento no setor.

O descaso com o ensino culminou em uma infraestrutura precária e péssima remuneração dos profissionais da educação. Assim, parte do contingente desses alunos, cujas famílias tinham condições financeiras, migrou para o ensino privado.

A situação do ensino público fica mais crítica ainda quando focamos em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No caso de Minas Gerais, por exemplo, os vales do Mucuri e Jequitinhonha e parte do Norte de Minas carecem de atenção especial, já que há escassez de profissionais experientes e bem preparados para transmitir conhecimento adequado aos alunos. Além disso, não dispõem de estrutura capaz de despertar nos jovens o interesse pelos estudos.

A adoção de novas tecnologias como ferramenta para estimular e transmitir conhecimento aos jovens é válida, mas não adianta adotá-las sem oferecer ao aluno condições para exercitá-las. Nesse sentido, se faz premente repensar o modelo educacional adotado no País.

Outro desafio para o governo e a comunidade escolar, principalmente da rede pública, seria a eliminação gradativa nas escolas do viés ideológico por conteúdos que, de fato, acompanhem as transformações da sociedade e do mundo do trabalho. A escola deve estar comprometida com a evolução e o bem-estar de seus alunos. Por isso, é necessário oferecer meios para que agreguem conhecimentos que realmente sejam fundamentais na formação cidadã e profissional dos estudantes.

Outro ponto que devemos destacar é o de que a família ainda é o porto seguro dos adolescentes. Numerosas pesquisas revelam que a família tradicional continua sendo, como não poderia deixar de ser, a instituição que mais contribui para as tomadas de decisões desses jovens.

Sendo assim, a família é um importante esteio no sentido de direcionar os adolescentes para os desafios do futuro. Em parceria com a escola, e sem discursos ideológicos, é possível oferecer a esses jovens ferramentas fundamentais para que esses possam construir um futuro promissor que contemple seus anseios pessoais profissionais.

*Professor, superintendente-executivo do Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais e diretor da AC Minas