São Paulo – A bolsa paulista ganhou fôlego no ajuste e fechou em alta ontem, com o Ibovespa renovando máximas recordes após trocar de sinal algumas vezes durante o pregão, conforme permanecem no mercado as expectativas positivas para a economia brasileira com a mudança de governo no País.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa ganhou um fôlego no ajuste e subiu 0,61%, para 91.564,25 pontos, renovando recorde para o fechamento. O volume financeiro foi elevado e somou R$ 20,186 bilhões.

No melhor momento, subiu 0,64%, a 91.596,28 pontos, novo recorde intradia, após ter fechado a 91.012,316 na véspera, então máxima de fechamento da história do índice. Na mínima da sessão, caiu 1,2%, perdendo o patamar de 90 mil pontos, pressionado particularmente pela queda das ações da Vale.

De acordo com profissionais da área de renda variável, o declínio das bolsas no exterior, em particular nos pregões em Nova York, após alerta da Apple sobre vendas, respaldou alguma realização de lucros.

A Apple cortou previsão trimestral de vendas na noite de quarta-feira (2) e o presidente-executivo da companhia, Tim Cook, afirmou que a nova estimativa deve-se a uma desaceleração de vendas do iPhone na China.
A pauta de perfil liberal da equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro, contudo, mantém agentes de mercados confiantes na melhora da economia brasileira, com reflexo nos resultados de empresas.

“A implementação de uma agenda liberal tal como sinalizada nos discursos reforça nossa visão positiva para a bolsa, cujos patamares atuais de múltiplos…ainda não anteveem uma expansão acelerada de lucros com base em um crescimento longo e sustentável da economia”, disse a XP Investimentos a clientes.

Análises de mercado citam desde o ano passado a bolsa como o melhor ativo para se alocar em Brasil neste momento. “Quem não tem bolsa é ruim da cabeça ou doente do pé”, disse o operador Alexandre Soares, da BGC Liquidez DTVM, citando trecho da música “Samba da minha terra”, de Dorival Caymmi.

Destaques – Eletrobras ON e Eletrobras PNB avançaram cerca de 6% cada, ainda embaladas pela sinalização do ministro de Minas e Energia, de que pretende levar adiante a capitalização da elétrica de controle estatal, bem como pela manutenção do presidente-executivo da companhia, Wilson Ferreira Jr.

Petrobras PN e ON valorizavam-se 2,45% e 2,06%, respectivamente, respaldadas pela alta dos preços do petróleo no mercado externo, em sessão com posse do novo presidente da petrolífera de controle estatal, Roberto Castello Branco.

Itaú Unibanco PN fechou em alta de 1,65%, renovando cotação recorde, assim como Bradesco PN, que subiu 1,02%, chancelando o fechamento positivo. A última prévia do Ibovespa que irá vigorar a partir da próxima segunda-feira mostrou aumento de peso de ambos.

Suzano recuou 4,27%, tendo como pano de fundo o declínio de mais de 1% do dólar frente ao real. No final da última quarta-feira, a fabricante de papel e celulose anunciou um pequeno ajuste na relação de troca das ações no âmbito da fusão com a Fibria, anunciada no ano passado.

Vale caiu 4,09%, alinhada ao declínio de mineradoras na Europa, apesar da alta dos preços do minério de ferro na China, em meio a preocupações sobre o ritmo da economia chinesa. A acionista Bradespar também divulgou na véspera venda adicional de ações da mineradora. (Reuters)