Reuters – São Paulo – O mercado fez poucos ajustes nas suas projeções para a economia na semana passada, mostrou a pesquisa Focus do Banco Central divulgada ontem, mantendo as visões de que a taxa básica de juros não será mexida tão cedo e de que a inflação continuará abaixo do centro da meta oficial neste e no próximo ano.

Uma leve mudança ocorreu nas estimativas sobre os preços administrados, cuja alta para 2018 passou a 7,10%, sobre 7,00% antes, mas nada suficiente para mudar as cotas sobre o IPCA, que continuaram mostrando avanço de 4,15% e 4,10% em 2018 e 2019, respectivamente.

Para este ano, o centro da meta oficial é 4,50% e, para o ano seguinte, de 4,25%, ambas com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Em julho, o IPCA desacelerou sua alta mensal a 0,33%, após salto de 1,26% no mês anterior devido aos impactos da greve dos caminhoneiros. O movimento de desaceleração já era esperado, mas foi menos intenso do que as projeções de analistas ouvidos pela Reuters, de crescimento mensal de 0,27%.

Com isso, o mercado manteve sua visão de que a Selic fechará este ano no atual patamar e mínima histórica de 6,50% e 8% no fim de 2019.

Recentemente, o BC reforçou que o cenário de inflação continuará favorável se não houver choques adicionais. No início deste mês, o BC manteve a taxa básica de juros em 6,50%, ressaltando que a retomada da atividade econômica será ainda mais gradual do que a esperada antes da greve dos caminhoneiros.

Atividade econômica – O Focus mostrou ainda que as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018 foram mantidas em 1,49% e, para 2019, em 2,50%. Também não mudaram as visões sobre o dólar, a R$ 3,70 tanto no fim deste ano, quanto no ano que vem.

Na semana passada, foi divulgado que o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 3,29% em junho, compensando totalmente a queda de 3,28% vista no mês anterior, marcado pela greve dos caminhoneiros.
Porém, a economia brasileira fechou o segundo trimestre com queda de 0,99% em relação aos três meses anteriores, depois de ter subido 0,20% entre janeiro e março, na mesma base de comparação.