A previsão dos analistas de mercado para o rombo foi reduzida para R$ 141,038 bilhões - REUTERS/Bruno Domingos

São Paulo – A temporada de balanços do terceiro trimestre prevista para começar no Brasil na próxima semana deve mostrar resultados sólidos das companhias atreladas a commodities e ao mercado externo, enquanto aquelas com foco doméstico podem refletir o quadro político-econômico ainda difícil no País, mas com algumas exceções, de acordo com prévias compiladas pela Reuters.

“Esperamos crescimento dos lucros no terceiro trimestre, continuando a tendência observada nos últimos trimestres, porém, abaixo do potencial, uma vez que a incerteza política pesou de certa forma na atividade no Brasil”, avalia a equipe de estratégia e análise da XP Investimento, liderada por Karel Luketic, conforme relatório a clientes enviado na sexta-feira (19).

O trimestre teve forte volatilidade no cenário eleitoral, em meio ao embate jurídico envolvendo a participação na disputa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso, além das incertezas sobre o desfecho da votação, dado o elevado percentual de indecisos nas primeiras pesquisas e relativa paralisação em votações no Congresso Nacional.

Do lado macroeconômico, os três meses encerrados em setembro viram o dólar subir 4% ante o real e queda nos preços de commodities, como o cobre, milho, soja e açúcar. Dados de atividade e emprego no País também seguiram mostrando desempenho fraco nos últimos meses. O IBC-BR acumulado em 12 meses até agosto mostrou alta de apenas 1,50%.

Para os estrategistas do Santander Brasil Daniel Gewehr e João Noronha, as companhias brasileiras devem mostrar outro conjunto de resultados consolidados “decentes” no período. Dentro do seu universo de cobertura total, eles estimam aumento de 26,3% no Ebitda, enquanto o lucro líquido por ação deve crescer 9,6%. “Em termos de difusão, nós esperamos crescimento de dois dígitos no Ebitda de 9 dos 17 setores, com apenas um (agronegócio) mostrando declínio ano a ano, e aumento de dois dígitos do lucro líquido em 8 setores”.

A equipe do Itaú BBA avalia que o Brasil deve mostrar um desempenho melhor na América Latina, como no segundo trimestre. Os estrategistas liderados por Gregorio Tomassi preveem expansão de 30% no Ebitda do terceiro trimestre, com aumento de 55% no lucro líquido. Para o México, projetam alta de 9% no Ebitda, mas queda de 8% nos lucros.

A equipe de estratégia e análise de ações do Morgan Stanley para América Latina calcula elevação de 10% e 51% (em dólar) no Ebitda e no lucro por ação, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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Setores – A partir de uma compilação de 153 empresas de 18 setores listadas em bolsa na América Latina, a equipe de estratégia do Morgan Stanley liderada por Guilherme Paiva destaca que as companhias no setor siderúrgico devem divulgar números bons no terceiro trimestre, na esteira do aumento dos preços de aço no mercado doméstico e melhora em volumes.

Fabricantes de papel e celulose também estão entre os destaques positivos de Paiva, em razão de maiores exportações, preços de celulose estáveis e real mais fraco. Tal percepção poderá ser confirmada, ou não, logo no começo da temporada, uma vez que Fibria é uma das empresas que abre o calendário das companhias listadas no Ibovespa no próximo dia 24.

Para Via Varejo, a XP Investimentos aguarda um resultado fraco, citando que, apesar de crescimento de vendas online e venda nas lojas, as “margens devem ser deterioradas pela dificuldade na implementação de novo sistema de vendas”. Os concorrentes Magazine Luiza e B2W, por sua vez, estão entre os destaques positivos da XP.

Os estrategistas do Banco Santander Brasil calculam expansão de 46% no Ebitda das empresas cíclicas globais, enquanto as empresas voltadas ao mercado doméstico devem entregar expansão de 9,7%.

A visão da equipe da XP endossa tal prognóstico, uma vez que avalia que a depreciação do real continuou a contribuir positivamente para os resultados de nomes relacionados a commodities, como Vale, Suzano, siderúrgicas e frigoríficos.

Para os analistas do Itaú BBA, entre os setores guiados pela demanda doméstica, bancos, bens de capital e varejo devem apresentar bons resultados. (Reuters)