A soja é um dos destaques, mas com previsão de queda entre 3,1% e 1,2% frente à safra 2017-2018 - Foto: Jonas Oliveira/ANPr

Após colher uma safra recorde de grãos em 2017/18, Minas Gerais poderá superar o volume na safra 2018/19, caso as condições climáticas sejam favoráveis para a implantação, desenvolvimento e colheita da produção. De acordo com os dados do Primeiro Levantamento da Safra Brasileira de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção mineira deve variar entre o volume mínimo de 14 milhões de toneladas e máximo de 14,6 milhões de toneladas no período, o que, se comparado com a safra anterior, pode representar desde uma queda de 0,7% até um aumento de 3,3%.

Para o atual período produtivo é esperado aumento de 0,8% a 3,9% na área de plantio, que pode variar entre 3,3 milhões e 3,47 milhões de hectares. Nesta primeira estimativa, cujos dados serão revisados conforme o avanço da safra, a previsão é de um recuo de 1% na produtividade, que pode ficar em 4,19 toneladas por hectare.

O plantio da nova safra ainda não ganhou ritmo em função da espera por melhores condições climáticas, principalmente a regularização das chuvas.

Dentre os produtos, o milho e a soja continuarão como os principais. No caso da soja, que apresentou tanto produtividade como volume recorde na última safra, a tendência é de uma redução inicial de 3,1%, com a produção de 5,3 milhões de toneladas, ou queda de 1,2% para alcançar a produção máxima de 5,48 milhões de toneladas. Os dados, que foram calculados com base histórica de produção, são preliminares e serão modificados conforme o desenvolvimento da safra.

Com preços e liquidez mais competitivos que o milho, a oleaginosa, assim como na safra anterior, deve ocupar parte do espaço antes dedicado ao cultivo do cereal. É previsto um incremento de 1% na área mínima a ser cultivada, 1,52 milhão de hectares, até o aumento de 3% no espaço máximo, que pode chegar a 1,55 milhão de hectares.

Devido ao clima e aos fatores históricos, a produtividade da oleaginosa foi estimada em 3,5 toneladas por hectare, variação negativa de 4,1% quando comparado com a safra anterior.
De acordo com o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, a atual safra de soja tende a ficar muito próxima a da colhida no ano anterior.

“O vazio sanitário já se findou e o plantio vai ganhar ritmo. A tendência é de uma produção muito próxima da última, que foi recorde e excepcional para todos os estados produtores. Em relação ao clima para a safra atual, na região Sudeste do País, a previsão é de algumas anomalias climáticas para os três próximos meses, com chuvas levemente abaixo da média. Necessariamente não é problema, pelo fato de o período ser de grandes volumes de chuva”, disse.

Milho – Apesar de perder espaço para a soja, a primeira safra de milho em Minas Gerais pode crescer sobre áreas antes cultivadas com o feijão primeira safra. A migração se deve aos preços baixos e ao alto índice pluviométrico, o que afeta a qualidade do feijão e estimula o maior investimento na segunda safra do grão.

Conforme os dados da Conab, na safra 2018/19, a previsão é que o milho primeira safra ocupe uma área mínima de 837,3 mil hectares, aumento de 1,4%, e um espaço máximo de 909,1 mil hectares, variação positiva de 10,1%.

A produtividade média estimada para o milho primeira safra é de 6,33 toneladas por hectare, queda de 3%. Com a estimativa de aumento da área, a tendência é que Minas Gerais produza, no máximo, 5,7 milhões de toneladas de milho, o que, se alcançado, representará um avanço de 6,8%. Já a produção mínima foi calculada em 5,3 milhões de toneladas, retração de 1,6%.

Leia também:

IBGE prevê queda de 6% neste ano

Conab projeta aumento de 2,3% no País

Plantio de algodão deve crescer até 20,4%no Brasil

Feijão – A produção mineira de feijão primeira safra deve variar entre o mínimo de 189,4 mil toneladas e o máximo de 193 mil toneladas, o que representa uma queda de 4,5% no volume mínimo e de 2,7% no máximo. No período, é esperado recuo de 4,1% na produtividade, que deve girar em torno de 1,2 tonelada por hectare. A área a ser plantada pode variar entre 156,5 mil e 159,5 mil hectares, retração de 0,4% e aumento de 1,5% no tamanho máximo.

Ao longo da safra 2018/19, a tendência é que Minas Gerais produza entre 96,3 mil e 98,3 mil toneladas de algodão em caroço, o que será 2,9% menor caso atinja o volume mínimo, e 0,9% superior, caso seja registrado o volume máximo. Para o atual período, a área de plantio deve crescer 2% e somar 25,5 mil hectares. A produtividade deve recuar 2,8%, com rendimento médio de 3,8 mil toneladas por hectare.