Para Flávio Roscoe, os novos modelos de negócios passam a ser um desafio para o RH - Foto: Alisson J. Silva

Embora se fale muito em processos e modelos de negócios, as mudanças que a Indústria 4.0 impõe aos diferentes setores passam também pelas pessoas. O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, lembra que as novas tecnologias farão alguns empregos desaparecerem, mas criarão outros.

Para isso, ele lembra a necessidade de as empresas qualificarem seus colaboradores e se abrirem para um mindset 4.0. “Talvez teremos que ter mais meninos de 18 anos nas nossas organizações. Eles são importantes porque têm uma outra percepção de mundo e de consumo. Hoje, eles não estão no comando das organizações, então como vamos trazer a visão de mundo deles? É um desafio de RH”, provocou.

Roscoe afirmou que a Fiemg tem trabalhado diante desse desafio, levando às indústrias essa nova realidade. Além disso, a instituição tem o programa Fiemg Lab, que acelera startups que desenvolvem soluções inovadoras na área da indústria. Roscoe afirma que a Fiemg também está reestruturando sua rede de escolas do Senai para que ela assuma esse conceito 4.0 e ajude na formação dos profissionais do futuro.

O professor da FGV Francisco Gaetani também reforçou a necessidade de se “misturar as gerações” na gestão das empresas. “Não existe mais o monopólio dos mais velhos: capacidade não tem nada a ver com idade. O que vejo são muitas pessoas se defendendo das mudanças e até do estagiário com medo de perder seus empregos ou, pior, com medo de ter que mudar. A inovação precisa de risco, e o oposto do risco é o medo”, frisou.

O diretor de Relações Institucionais e Comunicação da Cemig, Thiago de Azevedo Camargo, lembra que essa abertura à nova geração tem sido um esforço da Cemig. A empresa acaba de selecionar sete projetos de PeD de startups, empresas, universidade e institutos de pesquisa, que vão receber um investimento de R$ 40 milhões para desenvolver soluções para o setor energético. 

“Nenhuma empresa tem, sozinha, conhecimento de tudo. A gente tem que estar aberto à experiência de outras empresas e da academia. O Cemig Tech, inclusive, visa proporcionar isso: ouvir especialistas que estão fora da Cemig e dar aos empregados a oportunidade de dialogar e de aprender”, afirma Camargo. (TB)