Diante das mudanças, mineradoras e os fornecedores decidiram agir juntos e não tentar resolver os problemas sozinhos - Divulgação

Uma das bases da riqueza econômica de Minas Gerais, o setor da mineração vai ganhar uma nova casa em Belo Horizonte: o Mining Hub. Com inauguração prevista para 17 de janeiro, no 5º andar do WeWork, na região Centro-Sul da Capital, o espaço é uma iniciativa de 15 mineradoras para fomentar a inovação e acelerar startups com proposta voltada para o segmento. Até o fim do ano, serão mais de R$ 6 milhões investidos em estrutura e metodologia de aceleração, além do investimento direto nas startups que receberão, em média, R$ 100 mil cada. A meta do hub é chegar ao fim de 2019 com 42 startups aceleradas.

O diretor de comunicação do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Henrique Leal Soares, chamou a atenção para o pioneirismo da proposta do Mining Hub, que além de ser um espaço de inovação de um setor muito tradicional, ainda reúne os maiores concorrentes em um só lugar. “Ninguém esperava que representantes do setor mineral sentassem juntos para discutir soluções inovadoras para os seus problemas, mas as mineradoras entenderam que a colaboração é o caminho. O que vamos fazer aqui é unir ‘dinossauros e unicórnios’”, brincou.

O gerente de Gestão, Excelência e Inovação da Ferrous, Gustavo Henrique Roque, explicou que o hub vai acelerar startups que apresentem soluções em cinco grandes temas: gestão da água, gestão de resíduos, energias alternativas, eficiência operacional e segurança operacional. Em um segundo momento também haverá espaço para projetos sociais com foco em crianças e idosos. Os problemas a serem resolvidos estão propostos no site do hub (www.mininghub.com.br), mas as startups podem apresentar soluções diferentes que atendam aos temas centrais.

As inscrições para o primeiro ciclo de aceleração estão abertas até 11 janeiro. Serão 15 startups selecionadas para um processo de quatro meses de mentoria, conexão com os profissionais e experimentação no ambiente das mineradoras. Cada startup também receberá um investimento, que varia de acordo com o projeto e com a mineradora financiadora, mas gira em torno de R$ 100 mil. Segundo Roque, a princípio, o hub não vai exigir nenhuma contrapartida das startups, mas as negociações podem ocorrer durante ou após o processo de aceleração. Até o fim de 2019, serão 42 startups apoiadas.

“Para as mineradoras os ganhos vão muito além da tecnologia: tem a ver com a cultura. O ambiente da mineração é composto principalmente por homens, engenheiros acima de 30 anos com um mindset fechado dentro da realidade deles. A questão é: por que usamos uniformes até no setor administrativo? O que a gente pode fazer diferente na mineração? O fazemos da mesma forma há 30 anos? Esse espaço pode ajudar nessa mudança de mindset porque vamos interagir direto com essa nova geração de empreendedores”, afirma. Já as startups ganham, além do investimento, a oportunidade de testar suas soluções no ambiente das maiores mineradoras do País.

As 15 mineradoras que já estão confirmadas no hub são: Anglo American, AngloGold Ashanti, ArcelorMittal, CBMM, CSN, Ferrous, Gerdau, Kinross, Nexa, Samarco, Usiminas, Vale, Bahia Mineração, J Mendes e Fosfato Mineradora Morro Verde. Além delas, também participam do espaço empresas de outros segmentos e que atuam como fornecedores da mineração. Entre essas empresas estão GE, Alcoa e Deloitte. “Todos estão vendo que a transformação está acontecendo, mas nem todos sabem como agir. É por isso que as mineradoras e os fornecedores decidiram agir juntos e não tentar resolver os problemas sozinhos”, diz.