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Diante dos sucessivos problemas e inseguranças com barragens e as consequentes mudanças na indústria extrativa mineral em todo o País, a Mineração Morro do Ipê, responsável pelas minas Ipê e Tico-Tico e das unidades de processamento localizadas na região de Serra Azul, está investindo em um novo sistema de tratamento de rejeitos de minério de ferro. Trata-se de um processo de filtragem, que elimina a necessidade do uso de barragens.

Embora não revele o montante a ser investido, a empresa destaca que o sistema funcionará por meio de dois filtros prensa que possibilitam a separação do material líquido do sólido.

“O rejeito será filtrado e a água retornará ao processo industrial por meio de recirculação. O rejeito seco, por sua vez, será enviado à pilha estéril basicamente seco, com 15% de umidade”, explicou o gerente de relações institucionais da Mineração Morro do Ipê, Ulisses de Oliveira.

A mina Ipê, em operação desde 2017, cuja produção chega a 1,9 milhão de toneladas por ano, adotará o sistema a seco nos próximos meses. As obras de instalação dos filtros na mina, que ainda possui aproximadamente três anos de vida útil, foram iniciadas no ano passado. Já a mina Tico-Tico, que aguarda a aprovação de licenças ambientais, deverá começar a operar em 2021 já com o novo sistema implantado.

“Todas as barragens da Mineração Morro do Ipê estão desativadas, não sendo mais utilizadas para depositar rejeitos gerados no processo de tratamento do minério. Mas, mesmo sem operações, as barragens são monitoradas diariamente, até mesmo após suas descaracterizações”, ressaltou Oliveira.

A chamada B2 está desativada desde 2007, totalmente drenada e recebeu novo atestado de estabilidade em fevereiro. A mineradora já obteve a licença para remoção desta barragem que conta com 80 metros de altura e 1,5 milhão de metros cúbicos de rejeitos.

A B1 Ecológica funcionava como dique para reservar água usada na operação, que já foi totalmente retirada e a barragem descomissionada. Agora aguarda laudo de descaracterização a ser emitido pelo órgão ambiental.

Já a B1 Auxiliar teve as operações suspensas em fevereiro e futuramente também será descomissionada. Ao todo são 68 metros de altura e 2,4 milhões de metros cúbicos de material depositado.

A Morro do Ipê assumiu os ativos de Tico-Tico e Ipê, que pertenceram à antiga MMX Sudeste, e reiniciou as atividades na mina Ipê, com foco no processamento de estoques de minério de ferro já existentes no complexo minerário. Ao todo são gerados 350 empregos entre diretos e indiretos na operação.

Já a mina Tico-Tico foi submetida a um novo projeto de produção e exploração e atualmente encontra-se em fase de licenciamento ambiental. Neste caso, o volume de produção será de 6 milhões de toneladas do insumo siderúrgico por ano e um prazo de vida útil de 11 anos. A previsão de empregos chega a 1.400 entre próprios e terceirizados.

Corredor – Os investimentos nos ativos minerários da região de Serra Azul se justificam também pela garantia de escoamento da produção pelo Porto Sudeste, uma vez que a Mubadala Development Company e Trafigura possuem participações acionárias em ambos os empreendimentos. Mas os planos não param por aí, e a expectativa é criar um corredor logístico para escoamento do minério de pequenas e médias mineradoras, a partir do terminal de Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

“Esse porto tem perspectiva de escoar até 50 milhões de toneladas de minério por ano e nossa produção vai girar em torno de 6 milhões. Há capacidade para atender a demanda de outras mineradoras”, revelou.