Crédito: Marcelo Casimiro Cavalcante/Rebipp

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é a principal data das Nações Unidas para sensibilizar e encorajar ações no mundo todo em prol da proteção ambiental. No entanto, no Brasil, uma recente ação parece estar na contramão das questões ambientais.

No dia 21 de maio, o Diário da União autorizou a comercialização de mais de 31 agrotóxicos no Brasil, dando continuidade ao objetivo do governo de agilizar as análises dos pedidos de registro. Desses, 13 foram avaliados como altamente ou extremamente tóxicos à saúde humana e 14 como muito ou altamente perigosos ao meio ambiente.

Além de causar um grande prejuízo ao meio ambiente, ao solo, animais e seres humanos, a aplicação de agrotóxicos em larga escala é uma das principais causas da mortandade especificamente entre abelhas. “A morte de abelhas é algo que tem preocupado os especialistas de todo o País, especialmente neste ano”, afirma Névio Savieto, apicultor, meliponicultor (especialista em criação de abelhas nativas do Brasil, sem ferrão), e idealizador do Meliponário Savieto.

De acordo com um levantamento realizado pela Agência Pública e Repórter Brasil, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas por apicultores. Esses dados foram apurados apenas em quatro estados brasileiros e pelo breve período de três meses (entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019).

As análises laboratoriais desta pesquisa identificaram agrotóxicos em cerca de 80% dos enxames mortos no Rio Grande do Sul. O especialista explica que os princípios ativos dos agrotóxicos entram em contato com as abelhas, provocando a morte direta, ou impedem elas de retornarem para as colmeias. “A substância altera o senso de direção delas, o que acaba prejudicando todo o ecossistema.”

A função das abelhas – Névio lembra que as abelhas são as principais responsáveis pela polinização e garantem o equilíbrio dos ecossistemas. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), 85% das plantas com flores das matas e florestas e 70% das culturas agrícolas dependem dos polinizadores.

Ou seja, elas contribuem na geração de alimentos e perenidade das florestas. “A polinização pelas abelhas proporciona melhoria na qualidade dos alimentos, além de aumentar em pelo menos 30% a produtividade”, enfatiza.

Com a morte das abelhas, as florestas podem entrar em risco de sobrevivência, assim como os demais animais que dependem dela.

“Considerando ainda que muitos alimentos necessitam da polinização pelas abelhas, até a própria espécie humana pode entrar em extinção por falta delas”, destaca o apicultor e meliponicultor.

Ele cita o impacto por meio de alguns exemplos, como o lobo-guará, bioma do cerrado, que tem o fruto da lobeira em cerca de 50% de sua dieta. A flor da lobeira é polinizada por abelhas endêmicas da região.

“Caso ocorra a extinção dessas abelhas nesse bioma, a sobrevivência desse animal também estará em perigo”, lamenta.

Outro exemplo são as flores do maracujá que são polinizadas exclusivamente por algumas abelhas conhecidas como mamangavas. “Sem elas, corremos o risco de não ter mais maracujá”, diz.

Ações – Para Névio Savieto, há duas ações principais que podem ajudar a reduzir os danos às abelhas e aos ecossistemas. A primeira está na redução do uso dos agrotóxicos, com adoção de controle biológico de pragas e melhoria da saúde do solo.

“A ideia de que um solo sadio produz uma planta sadia deve ser sempre enfatizada.”

Outro ponto fundamental seria diminuir o desmatamento de florestas nativas, onde a maioria das espécies vivem. Além dessas ações, ele acredita que a educação ambiental na sociedade e nas escolas deve ser mais incentivada.

“Precisamos urgentemente mostrar a importância das abelhas como agentes polinizadores e conscientizar a geração atual e as próximas que virão”, conclui.