CRÉDITO: Valter Campanato

Brasília – As manifestações que ocuparam as ruas de várias cidades do País na quarta-feira (15) não desestabilizam o governo e são uma coisa pontual, avaliou ontem o vice-presidente Hamilton Mourão.

“Não vejo isso”, disse, ao ser perguntado se afetaria o governo do presidente Jair Bolsonaro. “Todos os protestos foram de forma tranquila, com exceção do Rio de Janeiro, que aí aparecem aqueles infiltrados em final de atividade.”

Questionado se havia um risco de as manifestações cresceram, como aconteceu com as chamadas jornadas de junho, em 2013, que abalaram o governo da então presidente, Dilma Rousseff, Mourão disse acreditar que os protestos, contra o contingenciamento das verbas para educação, foram pontuais.

“Eu não posso dizer isso, mas eu julgo que não (há risco de crescerem). Foi uma coisa pontual e à medida que todas as decisões que o governo está tomando e, principalmente, tenho certeza que vai ser aprovada a nova Previdência no final de julho, início de agosto, isso vai mudar as expectativas econômicas e os recursos vão voltar às universidades e aos outros setores do governo e a vida vai seguir seu curso normal”, afirmou.

Os protestos reuniram dezenas de milhares de pessoas na quarta-feira em cidades de todo o país. O foco foi o contingenciamento que atingiu as universidades, em torno de 30% das chamadas verbas discricionárias – usadas para pagar água, luz, manutenção e insumos de laboratórios, entre outros.

Mourão voltou a dizer que o governo não soube comunicar o bloqueio no orçamento, por se tratar de uma prática comum em todas as gestões.

“Tá havendo uma desinformação nessa história toda. Contingenciamento de recursos houve ao longo de todos esses períodos, acho que tem que ser mostrado o quanto ocorreu em anos anteriores”, disse.

Apesar de ressaltar que as manifestações são uma forma da sociedade mostrar o “desencanto” com algumas coisas que acontecem, o vice-presidente voltou a ressaltar que houve “exploração política”. “Se era um protesto pela educação por que tinha ‘Lula Livre’?”, disse. (ABr/Reuters)