Resultado teria sido melhor sem impasse com transição de governo - CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

A construtora e incorporadora MRV Engenharia Participações S/A, sediada em Belo Horizonte, iniciou mais um ano com aumento de vendas e lançamentos. Nos primeiros três meses de 2019, a companhia alcançou vendas líquidas de R$ 1,3 bilhão, totalizando 8.665 unidades comercializadas. Já os lançamentos chegaram a R$ 1,09 bilhão e 6.846 novos apartamentos.

As informações constam da prévia operacional divulgada pela construtora e, conforme o diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores da empresa, Ricardo Paixão, não fossem os impasses causados pela transição de governo e a instabilidade observada no processo de repasse e contratação de financiamento dos projetos do programa habitacional “Minha casa, minha vida”, os números teriam sido melhores.

“O primeiro trimestre foi basicamente marcado pela ruptura da mudança de governo, com volumes de repasses inferiores ao que registramos nos anos anteriores. Por isso, atribuímos nosso desempenho de vendas aos elevados lançamentos realizados no fim do ano passado e ao baixo número de distratos”, explicou.

Para se ter uma ideia, o volume de distratos caiu de 1.853 nos três primeiros meses de 2018 para 1.146 entre janeiro e março deste exercício. Uma queda de 38%.

Já em relação aos lançamentos, Paixão ponderou que poderiam ter sido maiores no decorrer dos três primeiros meses deste exercício, não fosse o baixo volume de recursos.

“Pelo perfil de conservadorismo da companhia, os lançamentos acabaram sendo segurados”, justificou.

De qualquer maneira, o diretor ressaltou que o fluxo de recursos já voltou ao normal e que as expectativas para 2019 seguem otimistas. Segundo ele, especificamente sobre o programa habitacional, a companhia não vê a extinção do mesmo.

“Entendemos que o ‘Minha casa, minha vida’ é um programa muito importante para o governo em termos de geração de emprego e recolhimento de impostos, além de todo o apelo social, e não enxergamos qualquer diminuição do mesmo. Pelo contrário, prevemos uma racionalização, no sentido de torná-lo mais produtivo”, explicou.

Geração de caixa – No entanto, vale destacar que, como consequência do contingenciamento do orçamento dos recursos do MCMV durante o primeiro trimestre deste ano, houve a interrupção de um ciclo de 26 trimestres recorrentes de geração de caixa pela empresa. Entre janeiro e março, o resultado foi negativo em R$ 19 milhões, enquanto no primeiro trimestre do ano passado havia chegado a R$ 86 milhões positivos.

Ainda de acordo com o balanço da MRV, o valor de R$ 1,3 bilhão somado em vendas foi 6% maior do que o R$ 1,2 bilhão do primeiro trimestre de 2018. Em termos de volume, as 8.665 unidades comercializadas superaram em 2,8% as 8.426 dos três primeiros meses do ano passado.

Já os lançamentos, que chegaram a R$ 1,09 bilhão em Valor Geral de Venda (VGV) entre janeiro e março superaram em 35,9% os de igual época de 2018 (R$ 805 milhões). O número de unidades (6.846) cresceu 35,8%, uma vez que, naquele período, foram lançadas 5.040 unidades.