Nely Aquino ocupava o cargo de secretária-geral e será a segunda mulher a presidir a CMBH - Bernardo Dias

DA REDAÇÃO

A vereadora Nely Aquino (PRTB) foi eleita ontem para a presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte, ao receber 24 votos de um total de 41. Também integraram a Mesa Diretora os vereadores Preto (DEM) como 1º vice-presidente, Jair Di Gregório (PP) como 2º vice-presidente, Carlos Henrique (PMN) como secretário-geral, Catatau (PHS) como 1º secretário e Marilda Portela (PRB) como 2ª secretária.


Com este resultado a vereadora, que ocupava o cargo de secretária-geral da Mesa, torna-se a segunda mulher a presidir a Mesa do Legislativo municipal.


“Temos que acreditar na mudança. Fiz um trabalho honrado junto com os demais membros da Mesa e pretendo continuar conduzindo tudo com transparência e ética, mantendo o diálogo com todos os setores da Casa. A Câmara merece um grupo coeso, podemos fazer muito juntos, sem disputas pessoais, e nos unir para realizar avanços para a cidade. Quando me perguntaram se gostaria de ser chamada de presidente ou presidenta, disse que o que importa é que seja com respeito, isso me basta. Todas as minhas propostas estão em aberto para serem avaliadas. Tudo será construído em colegiado”, afirmou Nely, que ficará à frente da Mesa por dois anos.


Durante o período de inscrição das chapas, 20 vereadores usaram a palavra para apresentar as candidaturas e defender as propostas do grupo escolhido. As quatro chapas inscritas foram: Chapa 1, incompleta, representada por Cida Falabella (Psol); Chapa 2, encabeçada por Nely Aquino; Chapa 3, incompleta, representada por Gabriel (PHS); e Chapa 4, composta por Orlei (presidência), Reinaldo Gomes / MDB (1º vice-presidente), Dr. Nilton / Pros (2º vice-presidente), Pedro Bueno / Pode (secretário-geral), Eduardo da Ambulância / Pode (1º secretário) e Cláudio Duarte / PSL (2ª secretário).


O resultado da votação demonstrou uma polarização entre as duas chapas completas, a 2, vencedora, com 24 votos, e a 4, que recebeu nove votos. Já a Chapa 1 ganhou o voto de cinco vereadores, e a Chapa 3 obteve três dos 41 votos.

“Toma lá dá cá” – No decorrer de toda a reunião solene, os vereadores ressaltaram a interferência do Poder Executivo na definição da composição do grupo que se candidatou representando a base do governo. Alguns dos parlamentares, inclusive, se manifestaram com frases impressas do tipo: “O ‘toma lá da cá’ precisa acabar em Belo Horizonte”.


Cláudio Duarte (PSL) foi um dos que corroborou essa crítica: “Devemos repudiar a interferência do Executivo. É uma vergonha quando há uma cooptação de vereadores para apoiar uma chapa interessante à Prefeitura.

Não podemos aceitar isso”. Professor Wendel (SD) também ressaltou as mudanças de “última hora” dentro da chapa formada pela base do prefeito Kalil, o que chamou de volatilidade. “A única falha que houve, foi no compromisso feito pelo Executivo. Ontem (terça) a PBH entrou no jogo e fez pressão nos vereadores. Sonho com um Legislativo forte e independente”.


Orlei, vereador antes cotado para ter o apoio do prefeito, também se manifestou contrário à manobra: “A Casa vai estar bem representada pela Nely. Seu nome foi muito bem-posto. Mas quero fazer um desabafo. A eleição foi virada ontem pelo prefeito. Eles impuseram o voto. Mas respeito as pessoas que não votaram em mim, cada um que carregue consigo a sua consciência”. Além deles, Pedro Bueno (Pode), Dr. Nilton (Pros), Reinaldo Gomes (MDB), Gilson Reis (PC do B), Doorgal Andrada (Patri) e Fernando Borja (Avante) também demonstraram insatisfação pela interferência do Executivo na composição dos cargos da chapa.


Já o vereador Álvaro Damião (DEM) ponderou a questão, enfatizando que a responsabilidade pela escolha da chapa é dos vereadores e não do prefeito. “Meu nome foi cogitado, mas eu respeito a posição do grupo. Independente do nome que tivéssemos escolhido, estaríamos juntos com Kalil. Nosso grupo com independência escolheu o nome”.

Mulheres na política – O reconhecimento e a valorização da mulher na política também foi destaque nessa reunião solene que elegeu a nova Mesa Diretora da Casa. “É um momento ímpar termos duas candidatas mulheres. Isso é muito importante e sinaliza a necessidade de mudanças na política”, disse Gilson Reis.


Cida Falabella (Psol), que se candidatou à presidência pela Chapa 1, também destacou a importância da participação da mulher com um desabafo: “É muito difícil ser mulher na Câmara de BH, pois ainda são consideradas como quem não sabe fazer política, como volúveis. Luto por uma democracia feminista, não só de mulheres, mas que dialoga com os homens que respeitam a nossa luta. Isso só ocorrerá quando houver um equilíbrio maior entre homens e mulheres”.