Apesar de 75% dos coworkings levantados pelo censo apontarem que sua estrutura é para empresas de segmentos multidisciplinares, a preocupação com o atendimento de nicho tem sido recorrente, conforme a especialista Bruna Lofego. “Cada vez mais surgem espaços compartilhados com foco em áreas específicas, como salões de beleza e chefs de cozinha. Mas a tendência é que os espaços multidisciplinares permaneçam sendo os mais numerosos justamente porque conseguem atingir um público maior”, diz.

De acordo com o Censo 2018 do Coworking Brasil, há uma representatividade de coworkings que têm buscado adaptações em seus modelos de negócio para atender necessidades específicas do público. O levantamento mostra que 24% dos espaços de trabalho compartilhado são pet friendly, mas apenas 4% aceitam e têm estrutura para crianças. De acordo com o censo, a maioria dos coworkings oferece estrutura de bar e café (52%) e espaço ao ar livre (55%).

Com cinco anos de operação em Belo Horizonte e sede no bairro Funcionários, na região Centro-Sul, o Guaja é um exemplo de coworking que tem um atendimento preocupado com os nichos. A casa funciona em dois andares, sendo que o térreo tem um espaço de café e restaurante, incluindo uma área ao ar livre, que é e pet friendly e a mais disputada, segundo o fundador, Lucas Durães.

“Áreas externas são uma tendência nesse segmento: cada vez mais as pessoas querem trabalhar em ambientes abertos e que tirem aquela sensação de trabalho tradicional em uma sala fechada”, afirma. No segundo andar, há 35 estações de trabalho em uma sala compartilhada e em salas privativas. O Guaja também tem três salas para eventos, onde ocorrem lançamentos de produtos, palestras e treinamentos.

O fundador explica que o espaço é aberto para diferentes empreendimentos, mas nos últimos anos a casa tem se tornado conhecida em Belo Horizonte por abrigar empresas e eventos da economia criativa. Segundo ele, essa marca tem se consolidado de tal forma, que muitas empresas tradicionais buscam o ambiente justamente para dar esse tom de inovação aos seus negócios e eventos.

De acordo com o fundador, o coworking registrou crescimento de 30% no faturamento em 2017 em relação a 2016. Este ano, até o momento, a receita cresceu 20% em relação ao mesmo período no ano passado.

Crianças – O coworking Jobly, localizado no bairro Ana Lúcia, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está entre a minoria dos 4% de coworkings do Brasil que são kids friendly, segundo o censo. O espaço foi criado há apenas quatro meses com uma proposta inovadora: a oferta de um espaço estruturado e com profissionais especializados para cuidar de crianças de quatro meses a seis anos. De acordo com o CEO da Jobly, Alex Duarte da Silva, o objetivo é alcançar sobretudo as mães autônomas, que precisam trabalhar, mas também querem estar próximas dos filhos.

“Um número alto de mulheres que voltam da licença-maternidade tem dificuldade se manter no mercado de trabalho. Eu já vinha estudando o mercado de coworking e, a partir da parceria com minha mãe, que é educadora infantil, desenhamos esse modelo de negócio para atender as profissionais que precisam estar próximos dos filhos”, diz.

O coworking funciona em uma casa de dois andares, sendo o espaço para as crianças no térreo e a área de estações de trabalho, espaço de networking e sala de reunião no segundo piso. Ao todo são 19 estações de trabalho, sendo três ocupadas até o momento. De acordo com o CEO, a meta é chegar a, pelo menos, 50% de ocupação em até seis meses. Ele também espera retorno do investimento de R$ 100 mil até final de 2019. (TB)