Créditos: DIVULGAÇÃO

ROGÉRIO FARIA TAVARES*

A Academia Mineira de Letras (AML) foi fundada em 25 de dezembro de 1909, em Juiz de Fora, por um grupo de 12 intelectuais reunidos pelo amor à língua portuguesa e à literatura. A eles se uniram, mais tarde, outros 28 nomes, completando o time que, até hoje, é de 40 posições, sob o patronato do poeta Alphonsus de Guimaraens.

A mudança para Belo Horizonte ocorreu em 1915. De lá para cá, a entidade tem gerado contribuições importantes para a vida cultural da cidade e do Estado, sempre fiel à missão que justificou a sua criação.

Entre os integrantes da Academia que tiveram a ventura de presidi-la, é inevitável mencionar José Oswaldo de Araújo, poeta, escritor, jornalista, banqueiro e prefeito de Belo Horizonte entre 1938 e 1940; Murilo Badaró, deputado, senador e ministro de Estado; Miguel Augusto Gonçalves de Souza, líder empresarial e dirigente educacional, e Orlando Vaz Filho, advogado e político.

Dois, no entanto, legaram uma obra que precisa ser comentada com mais calma. Vivaldi Moreira foi o responsável por conquistar, para a entidade, a sua atual sede, o Palacete Borges da Costa, à rua da Bahia, número 1.466, perto da Igreja de Lourdes.

Também foi Vivaldi quem viabilizou a construção do anexo, onde funciona o auditório que hoje leva o seu nome e o foyer que abriga lançamentos de livros e exposições.

Projetada por Gustavo Penna, a construção se harmoniza perfeitamente com a arquitetura da sede, formando um conjunto agradável aos olhos de quem valoriza o encontro da tradição com a modernidade.

Já Olavo Romano foi o presidente que abriu as portas e o coração da Academia para as crianças, os artistas, a universidade, o mundo corporativo… De impressionante capacidade de agregação, reaproximou a AML dos mineiros, conduzindo intensa programação de atividades e organizando a gestão da Casa. Com o apoio de administradores profissionais, como Inês Rabelo, Flávia Queiroz e Guto Côrtes, dotou o funcionamento da instituição de processos mais atuais e eficientes.

Hoje, a Academia é uma agência promotora de Cultura e de Conhecimento, capaz de dialogar plenamente com o seu tempo. Nada melhor que contar com uma instituição desse porte e com essa história num momento em que é tão necessário cultivar a arte, as letras, a beleza, a memória…

Além de oferecer ao público, gratuitamente, uma série de eventos literários de alta qualidade, a Academia se prepara, agora, para abrir o seu incrível acervo bibliográfico e documental à comunidade.

Entre suas dez coleções de livros, há verdadeiras preciosidades, como as que pertenceram a Nelson de Sena, Eduardo Frieiro, Vivaldi e Edison Moreira, entre outros, sem falar na biblioteca contendo as obras dos antigos membros da Casa, como Abgar Renault, Afonso Arinos, Cyro dos Anjos, Emílio Moura, Henriqueta Lisboa e Paulo Pinheiro Chagas.

A comissão encarregada de ordenar esse belo patrimônio é composta por três acadêmicos com larga experiência no assunto: Amílcar Vianna Martins Filho, Caio César Boschi e Jacyntho José Lins Brandão (recentemente eleito professor emérito da UFMG). Será uma alegria para Minas Gerais quando, finalmente, a AML puder anunciar que o seu acervo já está completamente apto a receber as visitas e as consultas de todos aqueles que amam a língua portuguesa e a literatura.

•Jornalista. Da Academia Mineira de Letras