Créditos: Alisson J. Silva/ARQUIVO DC

O Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da Universidade Federal de Minas Gerais (CTNano/UFMG), inaugura hoje, dia 16, sua nova sede.

Dentro do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), o edifício tem quatro pavimentos, mais de 3 mil metros quadrados e conta com 10 laboratórios com equipamentos de última geração. Com o novo espaço, o CTNano ganha ainda mais impulso e eficácia como plataforma de desenvolvimento e transferência nanotecnológica para atender a demandas do setor industrial.

O CTNano atuava em espaços provisórios desde 2013. Segundo o coordenador geral do Centro e professor do Departamento de Física da UFMG Marcos Pimenta, a estrutura integrada permitirá a ampliação e eficiência das atividades, união da equipe de pesquisadores em um só lugar e o crescimento da produção interna.

“Na nova sede, poderemos construir reatores maiores para a produção desses materiais e do cimento nanoestruturado. Será possível, também, aumentar a escala de produção dos compósitos poliméricos, permitindo atendermos a demandas da indústria por esses materiais”, diz.

O projeto de construção da nova sede do CTNano/UFMG contou com o apoio de empresas e instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Petrobras, InterCement, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Além do BH-TEC, a UFMG na coordenação e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) na gestão dos projetos – o Centro já soma recursos captados na ordem de R$ 46 milhões.

Pesquisa e desenvolvimento – O CTNano é reconhecido pelo pioneirismo no País e pela excelência em pesquisas na área de nanomateriais, como o grafeno e nanotubos de carbono, que contribuem para o desenvolvimento e melhoria de produtos e processos, e, assim, têm destacada importância estratégica a competitividade da indústria nacional.

“À frente da interface entre o conhecimento produzido na universidade e sua aplicação no setor industrial, o Centro desenvolve estudos objetivando a incorporação de nanomateriais, como nanotubos de carbono e grafeno, em materiais tradicionais, visando a aprimorar suas propriedades físico-químicas – como aumento da resistência mecânica, melhoria da condutividade térmica e elétrica, entre outros”, explica o professor Marcos Pimenta.

São inúmeras as possibilidades de atuação da nanotecnologia na indústria. Para o setor de petróleo & gás e mineração, por exemplo, materiais poliméricos e cimentícios avançados são desenvolvidos para exploração e produção em águas profundas e mineração. Já no setor de energias renováveis, melhoria da resistência das pás eólicas para aumento da eficiência energética.

No automotivo são produzidos nanocompósitos com resistência à chama e capacidade de dissipar cargas e propriedades mecânicas superiores. Tem, ainda, aplicações em outros segmentos como energia, ambiental, aeronáutico, agronegócio, química, biotecnologia, médico e farmacêutico.

Segundo o coordenador, o CTNano tem mais de 25 patentes depositadas, entre as quais há tecnologias de destaque, como a que propõe uma nova forma de produzir cimento.

A partir da mistura de nanotubos de carbono aos grãos do cimento, gera-se um produto muito resistente e barato. Outra patente provém de uma pesquisa que propõe a mistura de grafeno ou nanotubos a polímeros. Essa mistura melhora as propriedades mecânicas do material, deixando-o muito mais resistente.

“O número de patentes e a expertise consolidada em 20 anos de atuação compõem o grande diferencial do Centro. Além da infraestrutura para o desenvolvimento desta tecnologia, temos um corpo de 70 cientistas trabalhando no CTNano”, explica Marcos Pimenta.