O mercado jurídico no Brasil passou por muitas transformações nos últimos anos. Além das mudanças nos comportamentos dos clientes, mais informados e cientes dos seus direitos e exigentes ao negociar um contrato, escritórios e advogados convivem com a guerra de preços e com o avanço progressivo de novos profissionais no mercado.

Segundo dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) atualmente há cerca de 1,1 milhão de advogados no Brasil, 1 210 cursos de direito no País, com cerca de 900 mil estudantes. De acordo com o presidente da seccional da OAB de Santa Catarina, Paulo Brincas,  o Brasil é um dos países com mais advogados per capita do mundo e novos advogados são formados em grande escala todos os anos. “O valor médio dos honorários e dos salários tende a cair, o que compromete a sustentabilidade de muitos escritórios”, alerta.

Nos últimos dez anos, foram abertos mais de 11 mil escritórios em São Paulo. No mesmo período pouco mais de 30% fecharam as portas. Dentre as causas apontadas pelos advogados estão: a falta de clientes, a competitividade com outros profissionais do direito e a desvalorização da profissão, o que inclui a prática de honorários aviltantes dentro da própria classe.

Segundo a especialista em marketing jurídico, Daniela Mascarenhas, o mercado jurídico, há bem pouco tempo, era um ambiente protegido em que poucos profissionais atuavam e que tinham uma grande demanda de clientes. “Literalmente, quando um escritório era aberto os clientes vinham até ele”, lembra.

Para Mascarenhas, este fator contribuiu de forma que profissionais e escritórios estacionassem na zona de conforto e na falta de planejamento e profissionalização das suas carreiras e bancas. “Para se manter neste segmento competitivo, o profissional deve apresentar competências que vão além de sua performance técnica e da qualidade dos serviços prestados, ou seja, o que não é ensinado na faculdade, mas que permeia competências e conhecimentos que vão desde ao empreendedorismo, gestão, marketing, atração e encantamento de clientes, desenvolvimento de pessoas e liderança”, analisa.

Para construir uma carreira de destaque e conseguir boas oportunidades, o profissional necessita estudar muito e agir de forma estratégica, ter foco no negócio e desenvolver visão empreendedora. “Em tempos de tecnologias e mídias digitais o advogado precisa estar conectado as soluções dos problemas dos seus clientes, ter a presença digital, sem deixar de lado a pessoalidade do serviço jurídico”, avalia.

Ética – É essencial também conquistar clientes de forma ética, sem se desvalorizar e seguindo os princípios do Código de Ética da OAB. A melhor maneira de ser feita é através de construção de valor da advocacia, estando perto das pessoas, as conscientizando dos seus direitos, além, claro, de um excelente atendimento capaz de entregar a percepção da qualidade e da diligência nos serviços prestados.

Mascarenhas adverte que o advogado não pode compartilhar e expor o seu cliente de qualquer forma e sempre trabalhar com transparência. “Ele não pode expor as demandas dos clientes, divulgar casos concretos ou relevar seus honorários. Existem muitos advogados que perdem a carteira ou são suspensos de atuar em função de denúncias de clientes. A categoria deve ficar atenta a essas condutas”, observa.