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BENJAMIN SALLES DUARTE *

Embora haja uma longa história sobre a agricultura brasileira, entre conquistas, desafios, pesquisas e estudos, podem-se citar dois exemplos emblemáticos, entre dezenas de outros; os ciclos do café desde 1727, e o da cana de açúcar, desde 1533, vigentes e ainda vigorosos, pois o Brasil ocupa nessas duas culturas a liderança mundial em produção e exportação. Houve, sem dúvida alguma, um substantivo e regular desempenho da agricultura brasileira a partir da 2ª metade da década de 1970.

Além dos mercados estimulantes interno e externo, foram integradas aos processos produtivos das culturas as múltiplas tecnologias, inclusive genéticas, embarcadas e consolidadas “das sementes aos guichês,” uma expressão cunhada pelo saudoso extensionista da Emater-MG, o engenheiro agrônomo (MS) Sérgio Mário Regina, que reunia competência técnica, habilidade de comunicar-se, e sintonizado com os mercados hortícolas. A complexidade da agricultura exige saberes e talentos humanos!

Por outro lado, e sem demérito de nenhuma outra instituição de pesquisa brasileira numa série histórica, é fundada também a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1972.

Contudo, assinale-se que desde os idos de 1948, a Associação de Crédito e Assistência Rural, conhecida como Acar, hoje Emater-MG, por suas equipes de extensionistas rurais, percorria os municípios mineiros, sem nenhuma assistência técnica e extensão rural, levando-lhes ciência, tecnologia e boas práticas para milhares de produtores rurais e suas famílias, não apenas nas artes de plantar e criar, como também as inovações nos domínios do bem-estar social, enquanto conceito e prática de vida nas propriedades rurais, cenários onde ainda viviam 70% dos mineiros. Um sistema pioneiro e inovador à época.

Já no ano de 1949, ou há 70 anos, iniciou-se também a introdução do milho híbrido entre os produtores familiares assistidos diretamente pela Acar e através de demonstrações de resultados e concursos de produtividade, incluindo-se centenas de jovens rurais dos Clubes 4-S. São fatos históricos neste breve resumo, que não podem ser subestimados ou serem perdidos ao longo do tempo! Um País sem memória não tem história, e aceitar a tese de que museu é para quem gosta do passado, expressa uma grande tolice ou diminuta visão de mundo.

A agricultura evoluindo também tracionou estrategicamente o mercado brasileiro de fertilizantes, calcários, mudas, sementes, máquinas e equipamentos agrícolas, serviços rurais, bem como os sistemas de transportes, armazenamento, portos destinados às exportações, irrigação e drenagem. Ao que se somam as redes de revendas de insumos agropecuários e agroflorestais, pesquisa de ponta e desenvolvimento, adoção de inovações, entre outras condicionantes indispensáveis à agricultura brasileira.

E para mais, aqueceu o mercado para novas tecnologias de informações voltadas para o planejar e avaliar o agronegócio, que igualmente abrange outras culturas como soja, algodão, cana-de-açúcar, e produtos dos sistemas florestais. Resumindo-se em parte, hoje o Brasil é o primeiro produtor e exportador de café, açúcar, suco de laranja, e primeiros lugares na exportação de carnes de frango, bovina e soja em grão (USDA/Embrapa).

A agricultura colabora regularmente com a política de governo no controle inflacionário, ampliando o acesso aos alimentos mais baratos e gerando superávits históricos nas exportações do agronegócio que, em 2018, atingiu a cifra de US$ 81,86 bilhões. Assegura milhões de empregos diretos e indiretos nos sistemas agroalimentares e agroflorestais, não apenas no campo. Assim, são muitos os papéis estratégicos da agroeconomia, para além de produzir alimentos, fibras, biomassa e agroenergia.

Na safra 2018/2019, os EUA e a China devem ofertar 623,6 milhões de toneladas de milho, 56,7% da produção mundial, cabendo 366,2 milhões de toneladas aos EUA ou 33,3% (USDA). No Brasil, a estimativa é de 92,8 milhões de toneladas (Conab- 6º Levantamento), 3º lugar mundial. O desempenho da agricultura brasileira demanda quantidades crescentes de fertilizantes, e o consumo aparente passou de 1,97 milhão de toneladas em 1975 para 34,46 milhões em 2017 ou mais 1.649 %(ANDA).

O consumo correto de fertilizantes, que depende de análise do solo, não desobriga os tratos culturais, bem como outras boas práticas sustentáveis, pois a agricultura é sinérgica e dinâmica e os recursos naturais também são finitos! Acrescentem-se os fertilizantes destinados à horticultura, fruticultura e floricultura.

Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Milho dos EUA, em condições climáticas favoráveis e manejo otimizados na cultura de milho, os produtores associados ao buscarem os níveis máximos de produtividade por hectare cultivado lograram excepcionais desempenhos; 472 sacas em 2013 (28.320 kg); 523 em 2014 (31.380 kg); e 553 sacas de milho em 2015 (33.180 kg).

Assim, quanta tecnologia também embarcada numa semente híbrida de milho. A produtividade norte-americana na safra 2017/2018 é de 180,6 sacas (Google); e no Brasil, 80,95 sacas por hectare (Conab). Ainda há muito a se fazer no campo nas culturas e criações nas regiões produtoras, e com os produtores.

O Brasil é o 2º produtor mundial de soja, e o novo Campeão Nacional de Produtividade Máxima de Soja, safra 2017/2018, Gabriel Bonato (RS) colheu 127,01 sacas (7.620 kg) por hectare, em 116 hectares cultivados (CESB). A dobradinha soja e milho domina historicamente mais de 80% da produção de grãos brasileira, que deve atingir 233,7 milhões de toneladas na safra 2018/2019.

*Engenheiro agrônomo