José Eloy dos Santos Cardoso*

Na coluna de Paulo Navarro, publicada recentemente em jornal da Capital, ele, com conhecimento e sabedoria, conseguiu expressar o clima de insatisfação geral e revolta que, hoje, reina na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) em relação à administração do presidente atual, Marco Antonio Castello Branco, e sua “secretária vice-presidente”, como expressou o colunista.

Quando Castello Branco quis dividir a Codemig em duas empresas, seguindo orientações do governador Fernando Pimentel, para, certamente, gastar os recursos do precioso nióbio em despesas de custeio mineiro, a revolta entre os técnicos daquela empresa que, em tempos passados, sempre procurou trabalhar por critérios técnicos, e não políticos, foi total. Como economista e assessor da presidência da antiga Cdimg, que, absorvida pela Codemig, nem de longe conseguiu cumprir as funções da ex-empresa que foi uma das alavancas da economia mineira nos áureos tempos dos anos 70/80, senti como técnico desenvolvimentista o que estava se passando dentro dessa empresa que deve ser uma real empresa de desenvolvimento, e não política.

Um exemplo disso foi quando estive presente na Sociedade Mineira de Engenheiros na reunião do grupo “Avance Minas”, criado e fundado por Silviano Cançado Azevedo. O grupo Avance Minas está, inclusive, enviando ao governador eleito Romeu Zema algumas ideias de desenvolvimento que poderiam ajudar a alavancar a economia mineira. Naquele dia, o presidente da Codemig faria na mesma hora uma palestra para tentar justificar a injustificável divisão da Codemig para gastar os recursos da venda para pagar as despesas de custeio do governo mineiro. Como conhecedor dos problemas mineiros, com certeza não iria concordar com as argumentações de Castello Branco que tentava subdividir a Codemig.

Aconselhado oportunamente por um dos maiores economistas mineiros a não participar da reunião do presidente da Codemig na SME, para não criar um indesejável clima de discussão, até ajudei a receber Castello Branco, mas não participei de sua palestra. Em dois artigos publicados no DIÁRIO DO COMÉRCIO, condenei totalmente as pretensões do governo mineiro que ficaria livre de parte da riqueza do nióbio de Araxá para gastar em custeio da máquina pública deficitária.

Não foi sem razão que indiquei ao vice-governador eleito, Paulo Eduardo Rocha Brant, que é profundo conhecedor da economia mineira, ex-diretor do BDMG e ex-presidente da multinacional Cenibra e companheiro de lutas para o desenvolvimento mineiro o nome de Silviano Cançado Azevedo, que, na minha opinião, seria o melhor nome para presidir a Codemig para apaziguar os ânimos existentes atualmente nessa empresa e reconduzir novamente a economia mineira para o lugar que ela deveria estar. Tenho certeza que o governador eleito Romeu Zema deve concordar com esses argumentos.

Aproveito a oportunidade deste artigo para colocar aqui meu lema, aproveitando do slogan da vitoriosa campanha política de Jair Bolsonaro: “Minas Gerais acima de tudo e Deus acima de Todos”. Tanto nosso Estado quanto a Codemig precisam, em profundo e novo arranco, tirar do buraco sem fundo tudo que está acontecendo em Minas nos últimos anos. O exorcismo mineiro precisa funcionar com a dupla Romeu Zema e Paulo Brant.

* Professor titular de macroeconomia da PUC-Minas e jornalista