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ARI DE OLIVEIRA ZENHA*

Ao tratarmos da questão do homem burguês, temos diante de nós uma complexa interação entre o que o filósofo Leandro Konder coloca como tipo de homem no sentido genérico e também específico.

O homem, ou melhor, o ser humano no seu aspecto genérico lhe confere uma amplitude que açambarca inúmeras características e propriedades que estão interligadas dialeticamente e de forma abrangente à história da humanidade.

Com o objetivo específico de lidarmos com esse assunto – o homem burguês – o tipo humano burguês, temos necessariamente de contextualizá-lo histórica e concretamente, ou seja, ele é representante e personificação da estrutura produtiva, ideológica, moral, ética, social e política do modo capitalista de produção.

O homem burguês é a expressão e revelação dos interesses hegemônicos da sociedade capitalista. Podemos nos referir a que o burguês está condicionado pelo conjunto da sociedade burguesa, apresentando um todo de diversidades e de contradições que lhe confere valores e interesses de sua classe, a burguesia.

No nosso modo de pensar não existe uma separação, a não ser informal, entre o burguês enquanto proprietário dos meios de produção – o industrial, o banqueiro, o grande comerciante, o latifundiário – do tipo humano burguês (aquele que expressa valores, ideais, ideias e ideologia) que a sociedade burguesa difunde para o mundo estruturando dessa forma as características sociais elaboradas enquanto classe hegemônica de dominação.

O burguês não pode existir separadamente – a não ser de forma aparente – enquanto proprietário dos meios de produção, como dito anteriormente, do tipo humano burguês (aquele que pratica valores da burguesia), eles são partes de uma mesma “moeda”, se completam, se integram através de uma conexão estreita e constitutiva, formando um único “ser” que age interativamente no sentido de impor de forma estruturada o seu domínio sobre todas as dimensões e sentidos que compõem a sociedade mundial.

O sistema de produção capitalista é permeado de contradições que são de sua gênese, não é diferente para a classe que o representa, a burguesia.

As ambiguidades do homem burguês o fazem não só ter uma concepção de mundo como da existência humana uma forma mercantilista, fatalista, a- histórica, utilitarista, onde ele como “ser” burguês é para si um consumidor sedento de consumo, de acumulação e dinheiro.

O dinheiro para ele é um complemento/objetivo que alimenta o seu cínico viver multifacetado, num encadeamento em que a função sujeito/sujeito cede lugar a uma vinculação reificada, ligada a uma relação sujeito/objeto e objeto/sujeito, onde o culto ao mercado, a idolatria pela propriedade, pela acumulação, pelo lucro é que se funda a sua forma coisificada das relações sociais e afetivas, que se entrelaçam com uma forma existencial medíocre, conflituosa, procurando tornar a estrutura capitalista como permanente, a-histórica, espraiando este tipo de existência para todo o nosso planeta como o único possível em termos de existência para o ser humano.

*Economista