MARCELO FERREIRA*

Em algum nível, o rumor sobre uma provável ausência de petróleo está correto. Oficialmente não há. Porém, para um mercado de olho no futuro, que busca performance nas necessidades de petróleo mundial versus a capacidade de produção, a escassez existe. É por isso que os preços saltaram, razão pela qual a demanda está caindo e por que novas fontes de suprimento são demandas urgentes.

Com o descolamento do mundo essencialmente industrial e o surgimento das gigantes de tecnologia, uma nova commodity surge. Este recurso era o petróleo, agora, com a ‘Era da Informação’, estas preocupações se assemelham com a coleta, tratamento e exploração dos dados.

Descrito como uma das principais tendências que impulsionam a mudança no século XXI, o tratamento de dados é classificado como a “revolução de dados”, a “era do Big Data”. Essa enorme massa de dados e a velocidade com que consumimos as informações a partir delas geradas, oferece novas oportunidades, ampliando a percepção do que anteriormente era possível.

O mais importante não é a quantidade de dados que temos disponíveis, mas o que fazer com eles.

Estudos de modelos estatístico não são uma novidade, porém com o decorrer do tempo e a evolução tecnológica que resultou em casos reais de sucesso, como o sistema de recomendações aplicado pela Amazon e o NetFlix, a certeza é de que este movimento impulsionará a Inteligência Artificial e suas machine learning, gerando o emprego de novas funções e habilidades.

Brevemente, com a chegada do “faça sua análise você mesmo” o Big Data estará tão disseminado que dará fim a pesquisas de campo.
Embora tenha sua utilização sedimentada no segmento do varejo, no desenvolvimento de produtos, na antecipação de estratégias, na melhoria da logística ou na mensuração de estratégias digitais, é importante lembrarmos de outra dimensão ainda pouco explorada, o ensino.

O setor de Educação virou um negócio rentável no Brasil. Especificamente no ensino superior, o mercado tem demonstrado que o modelo tem proporcionado maior retorno sobre os investimentos, além de fomentar um melhor preparo dos alunos para o novo mercado de trabalho.

Entretanto, o que isso lhe parece ao considerar que 85% das carreiras que existirão em 2030 ainda não foram inventadas? Certamente será essencial garantir que os alunos adquiram habilidades que os tornem empregáveis, também precisamos que as pessoas sejam adaptáveis e, principalmente, que aprendam a aprender. Será necessário treinar suas habilidades várias vezes ao longo da carreira e, portanto, no ensino superior, será importante equilibrar a construção de habilidades técnicas com um pensamento crítico mais geral e habilidades de comunicação.

É neste caminho que as modelos de dados e a A.I. encontraram várias aplicações na vida real. Para suportar este novo mindset educacional, a nova sala de aula digital avaliará, em tempo real, as interações com os demais alunos e, a partir de sofisticadas análises das informações e algoritmos, irá delimitar o alcance do conhecimento e proporcionar a recompensá-lo com as pequenas conquistas durante a trajetória de aprendizado.

Hoje, gestores educacionais enfrentam um dilema: olhar para o futuro à procura de oportunidades educacionais emergentes ou apenas fazer inovações moderadas que pareçam criativas?

Há um mar por explorar, incontáveis dados para trabalhar e muita tecnologia para se consolidar. Educação mudou as perspectivas da Coréia do Sul e Finlândia, que colocaram o ensino em primeiro lugar. Por fim, estes desafios, em tese, têm a educação digital como seu caminho natural, pois quanto mais sonegarmos o Ensino Digital a esta nova geração, menos eles estarão preparados para o mercado de trabalho que se avizinha.

*Formação em Marketing, Pós em Tecnologia da Informação e atualmente é gerente de Inovação de Ensino Digital do Grupo Estácio