Intervenções tiveram início em 2014 e irão permitir a duplicação da rodovia entre BH e Governador Valadares - Créditos: Arquivo DC

Após permanecerem cerca de dois meses sem máquinas, operários ou qualquer intervenção, as obras de duplicação da BR-381, no trecho que compreende Barão de Cocais a Caeté, vão, aos poucos, voltando à normalidade.

É que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) conseguiu a liberação de parte das áreas que estavam pendentes judicialmente no lote 7 e já convocou o consórcio responsável pelos trabalhos.

Procurado, o órgão negou que as obras tenham sido suspensas. A assessoria de imprensa informou que questões judiciais são partes normais do processo e que o que houve, de fato, “foi uma diminuição no ritmo das intervenções por conta do período chuvoso e mudança nas frentes de trabalho”.

De acordo com o Coordenador do Movimento Nova 381, Luciano Araújo, os questionamentos do Ministério Público (MP) ocorreram em relação à pavimentação da rodovia, desapropriações e rede elétrica e a solução por parte do Dnit poderá, enfim, significar a liberação das primeiras pistas duplicadas da tão esperada reforma desta que é conhecida nacionalmente como “Rodovia da Morte”.

“Este é o trecho mais avançado das obras e já conta com 74% das intervenções prontas. Há chances de termos os primeiros trechos duplicados liberados ainda neste ano. Já passou da hora de começar a liberá-los para que a sociedade comece a ver os efeitos efetivos da duplicação”, comentou.

Araújo lembrou mais uma vez que o prazo contratual prevê a entrega do lote 7 até dezembro deste ano. Também está prevista para a mesma data a entrega do lote 3.1. Entretanto, segundo ele, não há verba suficiente para que isso ocorra.

No final do ano passado, o Movimento Nova 381 alertou que a verba destinada para a obra de duplicação da BR-381 em 2019 ficaria abaixo da metade do considerado ideal. A previsão é que a intervenção receba R$ 169,43 milhões, mas para a conclusão dos lotes 7 e 3.1 seriam necessários mais R$ 300 milhões.

“Estamos trabalhando junto à bancada mineira para conseguir a liberação de emendas para viabilizar as obras”, disse.

Vale lembrar que a duplicação da rodovia é uma obra prometida há décadas. Os trabalhos tiveram início em 2014 e irão permitir a duplicação da rodovia entre Belo Horizonte e Governador Valadares, em trecho com alto índice de acidentes.

O cronograma inicial indicava a conclusão da obra em 2017, mas com o agravamento da crise econômica nos últimos anos, a duplicação passou a sofrer com congelamentos dos recursos.

As obras preveem a duplicação e modernização de 303 quilômetros. Segundo o Dnit, o empreendimento é considerado prioritário pelo governo federal e vai garantir a redução do número de curvas e, consequentemente, trará mais segurança para os usuários e diminuição no tempo de viagem.

Além disso, em vez do asfalto, está sendo usado o concreto, que garante durabilidade três vezes maior, baixa necessidade de manutenção e conservação, maior visibilidade da pista e redução de aquaplanagem.

Privatização – Conforme já publicado, a obra pode passar a integrar o pacote de concessões de rodovias do governo federal, como anunciado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

Na avaliação de Araújo, caso a duplicação seja realizada pela iniciativa privada, o preço cobrado pelo pedágio pode ficar inviável. Segundo Araújo, estudos apontam que o valor cobrado seria de R$ 8 a cada 30 km. Com isso, o custo com os pedágios na viagem de ida e volta entre Belo Horizonte e Governador Valadares ficaria em R$ 160.