Créditos: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, negou que o governo tenha prometido ministérios a partidos que fechassem questão pela reforma da Previdência e, por meio de sua assessoria, classificou as informações, que mexeram com o mercado na quinta-feira (18), de fake news.

Informações de que o governo estaria disposto a entregar ministérios para os partidos do chamado Centrão – especialmente PP, PR e PSD – no caso das siglas fecharem questão a favor da reforma levaram à queda do dólar e dos juros futuros. A confiança de que um acordo com os partidos facilitaria a aprovação da reforma da Previdência levou otimismo ao mercado, mas não se confirmou.

A cotação, que oscilava em torno da estabilidade por volta de 15h30, rapidamente passou a cair 0,76%, por pouco não caindo abaixo de R$ 3,90. No fim do dia, porém, o mercado reduziu o ímpeto, e o dólar fechou em baixa de 0,11%, para R$ 3,9298 na venda.

O Planalto tem resistido a negociar cargos, especialmente de primeiro escalão, com os partidos, alegando que não fará política dessa forma. O presidente Jair Bolsonaro defende que o governo não terá uma base parlamentar, mas “maiorias ocasionais”, em torno de temas que serão votados.

O formato, no entanto, tem levado o governo a enfrentar dificuldades para a tramitação da reforma no Congresso e viu a votação da proposta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ser adiada para a próxima semana com a oposição se aliando ao Centrão para criar dificuldades na comissão.

Apesar de avaliar apenas a constitucionalidade da proposta, a CCJ tem sido alvo de embates sobre o mérito da reforma, e o relator da matéria, deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG), já admitiu fazer modificações para tentar aprovar o relatório na próxima semana.

Apesar de conversas iniciais do presidente Jair Bolsonaro com líderes de partidos mais inclinados a aprovar alguma mudança na Previdência, nenhum deles até agora se comprometeu a fechar questão na votação. Ao mesmo tempo, a maioria exige modificações substanciais em temas como Benefício de Prestação Continuada e aposentadoria rural para votar a Previdência.

Guedes – Em entrevista à Globonews, na quarta-feira (17), o ministro da Economia reconheceu que o texto da reforma da Previdência “realmente” não deveria tratar de idade de aposentadoria compulsória de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que o governo “está preparado para ceder em algumas coisas e em outras, não”.

Ao mesmo tempo, Guedes admitiu ser “evidente” que recuar em vários pontos – como BPC, regime de capitalização e idade de aposentadoria das mulheres – “enfraquece” a estratégia da equipe econômica em relação à reforma previdenciária.

Guedes disse que o mercado está “errado” em calcular que a reforma a ser aprovada implicará economia entre R$ 600 bilhões e R$ 700 bilhões, bem abaixo do valor de cerca de R$ 1 trilhão defendido por ele. “Acho que vai ser substancialmente maior que R$ 600 bilhões, R$ 700 bilhões.”

O ministro se disse “absolutamente tranquilo” em relação a riscos de desidratação da matéria.

Para Guedes, o presidente Jair Bolsonaro vai entrar “com mais peso” na articulação pela reforma à medida que “a coisa ganhar velocidade”. “Acho que a coordenação política está melhorando.”

O ministro foi questionado sobre o que seria dependência excessiva da reforma da Previdência como catalisador de crescimento para o País e disse que há uma série de medidas “extraordinariamente fortes e positivas”, como choque de energia barata e pacto federativo, que estão prontas. (Reuters)