Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Brasília – O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, reconheceu ontem que o governo cometeu erros na relação com o Congresso, mas disse que não vê a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna o Orçamento mais impositivo como uma derrota do governo.

“Temos humildade de reconhecer que houve erros aqui e ali na relação com o Congresso, e é isso que estamos tentando fazer, mas o governo tem demonstrado que quer o diálogo”, disse Onyx a jornalistas ao participar do Encontro Nacional da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil.

O ministro disse que conversou com o presidente Jair Bolsonaro e que ninguém no governo está vendo como uma derrota a aprovação da PEC do Orçamento pela Câmara dos Deputados, na noite de terça-feira (26).

“Quanto mais o Orçamento puder ser compartilhado com o Parlamento, melhor”, afirmou. “O passo que foi dado ontem é um passo que o Executivo só pode respeitar”.

No Congresso, a aprovação da PEC que engessa ainda mais o Orçamento foi considerada como um recado ao governo pelas constantes crises de relacionamento.

O ministro disse ainda que o governo vai intensificar as conversas com líderes partidários, inclusive com o envolvimento do próprio presidente da República. Na semana que vem, ao voltar de viagem a Israel, Bolsonaro já tem marcados encontros com o presidente do PRB, Marcos Pereira, e com o presidente do DEM, ACM Neto.

Maia – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), negou ontem que a votação da PEC tenha sido “política” ou “casuística”.

Em nota, o presidente da Câmara afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) não impede o governo de conter déficits, nem de contingenciar despesas.

“Não se trata de uma medida casuística ou política, mas de importante inovação na cultura orçamentária do país, comprometida com os valores da reponsabilidade fiscal, da eficiência administrativa e da valorização do Poder Legislativo”, afirma Maia, na nota. (Reuters)