Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni 14/11/2018 REUTERS/Adriano Machado

Brasília – Ostentando uma caixa de chocolates para “adoçar” a relação com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que uma das discussões mais espinhosa no governo hoje – a proposta de reforma da Previdência – ainda está em aberto.

Onyx chegou na tarde de ontem à sede do Ministério da Economia para um encontro com Guedes e técnicos que trabalham na elaboração da proposta. É incomum o chefe da Casa Civil sair do Palácio do Planalto para se encontrar com outro colega de Esplanada.

O gesto ocorre depois de uma série de desencontros entre a ala política e econômica do governo, incluindo a questão da Previdência. “Nunca tive briga com Paulo Guedes”, afirmou Onyx.

O ministro da Casa Civil disse que a proposta de reforma deve ser apresentada ao presidente Jair Bolsonaro na próxima semana. Questionado sobre definições na regra de transição, ele disse que “está tudo em aberto”, pois as equipes técnicas apresentarão nesta terça as suas defesas em torno das regras.

Apesar disso, o ministro reconheceu que a fala do presidente sobre idades mínimas “tem muita força”. Em entrevistas na semana passada, Bolsonaro defendeu idades mínimas de 57 anos para mulheres e 62 anos para homens até 2022.

A proposta preocupou economistas e agentes do mercado por indicar uma duração mais breve da reforma, apenas para o mandato de Bolsonaro.

Caberia ao próximo presidente continuar ajustando as regras. Onyx defendeu, porém, que Bolsonaro quis indicar que a reforma será “muito humana” e disse que o governo vai construir um novo caminho para a Previdência dos mais jovens.

Como mostrou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a reunião entre Onyx e Guedes foi precedida de encontros dos grupos técnicos na Economia e na Casa Civil. Segundo o ministro da Casa Civil, é a partir desses dados técnicos que haverá decisão inclusive se a reforma vai se estender apenas pelo mandato de Bolsonaro ou se será mais duradoura como defendem integrantes da área econômica.

“Tudo que a gente prepara só vale quando o presidente dá ‘ok’”, ressaltou o ministro.

Onyx disse ainda que não há decisão sobre a inclusão dos militares na reforma da Previdência. Existe a avaliação na área econômica de que esse seria uma medida importante para mostrar que o presidente “dá o exemplo” quando se trata de exigir “sacrifícios”.

O ministro disse que também seria discutida a Medida Provisória que deve ser editada a endurecer as regras de fiscalização contra fraudes no INSS. “Está no horizonte”, disse.

Reunião – Ontem foi realizada a segunda reunião ministerial do atual governo. O presidente Jair Bolsonaro ouviu cada um dos auxiliares sobre os planos para os primeiros meses de governo. Os ministros apresentaram, de forma sucinta, um panorama sobre cada área e as ações que irão implementar a partir de agora.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse que o primeiro escalão não tratou sobre detalhes da reforma da Previdência, mas informou que o texto continua em estudo. A tendência, segundo ele, é que o governo escolha as melhores formas de fazer com que a mudança legislativa ocorra.

“Continua aquela teoria de que as idades têm que ser viáveis para ter possibilidade de [o texto] ser aprovado”, disse.

O encontro durou cerca de três horas e foi realizado na Sala de Reuniões do 3º andar do Palácio do Planalto. De acordo com o general, o grupo deu continuidade ao trabalho feito há cinco dias, no primeiro encontro ministerial. (ABr/AE)