Carona a Pé: crianças vão para a escola caminhando sob supervisão

A integração entre modais é um dos pilares da nova mobilidade e isso inclui veículos não motorizados. Boas ideias em torno de bicicletas, patins, trenzinhos e até caminhadas têm gerado novos negócios. De acordo com levantamento ainda inédito realizado pela MindMiners, encomendado pelo Instituto PARAR, em 2018, 53% das pessoas abandonariam o carro próprio se tivessem outras opções de transporte para ir e voltar do trabalho; 55% estão insatisfeitos com o transporte público da sua cidade; e 58% têm medo de depender do transporte público da sua cidade.

Em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, a Ellos é uma empresa incubada no Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), que tem como foco a mobilidade urbana. A ideia é fornecer alternativas por meio da tecnologia para eventos que demandam o deslocamento de grande fluxo de pessoas de um lugar para outro de uma só vez.

De acordo com o aluno de Engenharia de Controle de Automação do Inatel e sócio da Ellos, Roberto Luiz Assad Pinheiro, o objetivo é oferecer diferentes modais de acordo com as características e necessidades de cada evento. O primeiro grande teste da ideia se deu durante a segunda edição do HackTown, que aconteceu na cidade entre os dias 7 e 9 de setembro, e reuniu cerca de 4 mil pessoas.

“Um desafio deste novo modelo de negócio foi de encontrar nichos de mercado. Inicialmente era só a ideia do uso da bicicleta, mas conseguimos pensar em outras possibilidades de transporte. No HackTown utilizamos bicicletas e um trenzinho. Pode ser que em uma outra ocasião a melhor alternativa sejam patinetes elétricos, por exemplo”, explica Pinheiro.

Pedestres – Muitas vezes despercebidos, os pedestres são peças fundamentais da mobilidade. Diante dessa certeza, a startup paulistana Carona a Pé se propõe a treinar comunidades escolares para que crianças e adolescentes possam fazer o trajeto entre a casa e a escola de maneira segura. A ideia é que um adulto da vizinhança recolha as crianças em casa e as leve a pé até a escola e, depois da aula, faça o caminho de volta, deixando cada uma em casa.

Para a idealizadora do Carona a Pé, Carol Padilha, o maior ganho do programa é otimizar o tempo de todos os envolvidos realizando pequenos trajetos de forma ativa. “Nos últimos 30 anos as crianças foram privadas do convívio com a cidade com a falsa ideia de que isso iria protegê-las. No Carona a criança ganha em convívio, na aprendizagem com o outro e com a cidade. Além disso, é menos carbono no ar, menos carro na porta da escola garantindo um trânsito mais fluido e menos gente sedentária, entre outros benefícios”, destaca Carol Padilha.

Até o início de novembro o Carona a Pé será pilotado em nove escolas municipais em Belo Horizonte, em uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (Smed) e a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). Ele passa a integrar o conjunto de ações do Projeto Vida no Trânsito/Programa Escola Segura, que é desenvolvido por uma comissão interinstitucional, fruto da parceria da Smed, Secretaria Municipal de Saúde, BHTrans e outros.

“Precisávamos de uma grande cidade para esse piloto e Belo Horizonte se mostrou muito receptiva à ideia. Como capital, BH nos coloca diante de muitos desafios e isso é o que pode definitivamente nos validar também como negócio”, pontua a idealizadora do Carona a Pé.
De acordo com a gerente da Escola Integrada da Smed, Lucilene Alencar, o Projeto tem como principal objetivo conscientizar a comunidade escolar sobre a importância de se adotar um comportamento mais seguro no trânsito, tornando os estudantes multiplicadores de práticas seguras e procurando minimizar a ocorrência de acidentes de trânsito.

“O Carona a Pé chegou para nós por meio da BHTrans e se soma às ações de mobilidade sustentável do Programa Escola Segura, desenvolvido desde 2014. Apresentamos o projeto para o grupo de escolas participantes e nove fizeram a adesão espontânea. O objetivo é que as crianças andem com segurança e aprendam que a cidade é um território que também é delas. A rota é rodiziada entre os pais para que seja formado um grupo identitário, em que pais, alunos, comunidade, comércio e escola se conheçam e criem laços fazendo todos a proteção dos alunos”, analisa Lucilene Alencar. (DM/TB)