São Paulo – A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do governo de Minas Gerais, cancelou a Autorização Provisória para Operar (APO) da barragem de Laranjeiras, pertencente à Vale e utilizada na operação da mina de Brucutu, de acordo com fato relevante publicado ontem.

O cancelamento ocorreu após uma decisão judicial anterior que determinou a paralisação de várias barragens, incluindo a de Laranjeiras, em um desdobramento da tragédia de Brumadinho, em 25 de janeiro.

A paralisação da mina de Brucutu, a maior de minério de ferro da Vale em Minas Gerais, tem impacto estimado na produção de cerca de 30 milhões de toneladas ao ano. As ações ampliaram perdas após a divulgação da informação pela Vale, fechando em baixa de quase 5%.

O cancelamento da licença aumenta as preocupações sobre o tempo que a Vale levará para voltar a operar a mina de Brucutu. Na véspera, por conta da decisão judicial, a companhia já havia alertado clientes que não conseguiria cumprir uma série de contratos de entrega de minério de ferro e de pelotas, ao declarar força maior.

A produção de 30 milhões de toneladas/ano afetada representa o equivalente a 7,5% da extração projetada pela companhia em 2019, de 400 milhões de toneladas.

Analistas já disseram que, se as operações em Brucutu forem de fato suspensas por um longo período, há a expectativa de impacto negativo nos embarques de minério de ferro da Vale, já que a flexibilidade operacional da empresa não seria suficiente para suportar a perda de produção.
Isso porque a empresa já havia anunciado que paralisaria 40 milhões de toneladas, para acelerar o processo de descomissionamento de barragens a montante.

Compensação – Inicialmente, a avaliação do mercado – e a própria empresa chegou a afirmar – foi de que a mineradora poderia compensar a perda na produção de Minas Gerais com aumento da extração do Pará. Procurada, a Vale não detalhou se conseguirá compensar a parada de Brucutu, com o cancelamento da licença.

A Reuters procurou a secretaria de Minas para buscar informações sobre o prazo para a emissão de uma nova licença, mas não houve um retorno imediato.

A redução na entrega de minério de ferro pela Vale, maior produtora global da commodity, tem potencial de sustentar mais o mercado do produto, que registrou na China máximas de vários meses recentemente, com operadores reagindo aos desdobramentos do rompimento de uma barragem.

A Vale informou ainda que a Semad determinou a suspensão imediata da Mina de Jangada, por entender que a Licença de Operação desta está unificada à LO da mina Córrego de Feijão, em Brumadinho, a despeito das minas terem atos autorizativos distintos.

A Mina da Jangada já estava paralisada em consequência da paralisação da operação da mina Córrego de Feijão.

A companhia afirmou que entende que “não existe fundamento técnico e/ou jurídico ou avaliação de risco que justifique o cancelamento da APO”. Disse ainda que adotará as medidas administrativas e judiciais cabíveis quanto à referida decisão. (Reuters)