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Como corporações tradicionais, que há anos estão no mercado, conseguem se manter? Para o McDonald’s, maior rede de fast food do mundo, uma das estratégias está sendo o investimento em big data, tecnologia que gera e armazena grande volume de dados.

A partir da aquisição de uma startup especializada em lógica de personalização e decisão, a marca pretende usar a inteligência artificial para analisar pedidos e preferências dos clientes, além de variáveis sobre clima e trânsito, com o intuito de otimizar o atendimento no drive-thru.

O investimento da rede é um dos exemplos de como as mudanças trazidas pela Indústria 4.0 têm colocado um novo desafio para as empresas. Orientadas pelo legado que construíram, agora elas precisam encontrar estratégias para se manterem competitivas, alinhando seus valores e crenças às inovações tecnológicas.

De acordo com o coordenador regional da Câmara Americana de Comércio de Belo Horizonte (Amcham-BH), Matheus Vieira Campos, o legado de uma organização não deve ser visto como um empecilho à modernização, mas como um diferencial, pois ele mostra como uma empresa tem impactado, positivamente, a sociedade.

Segundo Campos, legado e inovação podem dialogar, já que inovar tem a ver com continuidade e renovação e, hoje, esses aspectos estão diretamente ligados às tecnologias e à capacidade de adaptar-se digitalmente.

“O momento é de transformações tecnológicas exponenciais, chamadas assim por acontecerem de forma rápida, com grande volume de dados, além do alcance, cada vez maior, do número de pessoas. Essas modificações têm ocorrido com um impacto tão significativo, que não é possível mais afirmar que terão começo, meio e fim. Pelo contrário, serão permanentes. E o que o mercado quer é que as empresas, especialmente as com mais anos de atuação, consigam identificar isso e propor ações para alcançarem essa convergência entre o legado e a inovação”, explica.
 
Desafios – Uma pesquisa, feita pela Dell Technologies, em parceria com a Intel e a consultoria Vanson Bourne, em 2018, apontou as expectativas dos empresários brasileiros, em relação à transformação digital nos próximos cinco anos.

Na visão deles, a regulamentação ou mudança nas leis (33%), a privacidade e a segurança dos dados (31%), o excesso de informações (30%), a fraca governança e condições de estrutura digital (26%), além da falta de habilidades e conhecimentos internos (24%) são os principais desafios.

No entanto, na tentativa de driblar esses obstáculos, entre outras ações, 67% dizem usar tecnologias digitais para impulsionar a criação de novos produtos e serviços.

De acordo com Campos, o levantamento aponta para uma perspectiva positiva.

“A identificação das barreiras que atrapalham os processos inovadores é o primeiro passo rumo à implementação de estratégias que visam derrubá-las. Além disso, a disponibilidade e o interesse em investir em práticas que demandam o uso das tecnologias reforça que estamos caminhando para atender as demandas por inovação, mostrando como o legado tende a se adaptar à essa nova era”, analisa.