As projeções e pesquisa da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) apontam que o momento do País é de retomada da confiança. O clima favorável é percebido tanto no humor dos investidores quanto no otimismo das famílias para o próximo ano. Contudo, para o presidente da entidade, Hilgo Gonçalves, algumas reformas, como a da Previdência, precisam ser efetivadas para sustentar o crescimento da economia nacional.

A nova edição da pesquisa “Perspectivas 2018: Expectativa dos Brasileiros com o Cenário Politico & Social”, realizada em parceria com a Kantar TNS, dias após o resultado das eleições, constatou que o otimismo dos brasileiros cresceu consideravelmente e atingiu 60% pela primeira vez desde 2015. De acordo com o levantamento, 66% acreditam no crescimento do Brasil e 52% na redução da taxa de juros. Para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a estimativa é de alta de 1,4% em 2018 e novo aumento, de 2,5% a 3%, para 2019.

“Nos últimos anos, principalmente nos três últimos exercícios, tivemos anos desafiadores. Foi uma crise de confiança, no emprego e no investimento. Agora, a pesquisa traz claramente uma retomada forte da confiança e otimismo atingindo o maior nível desde 2015”, afirmou Gonçalves.

O levantamento aponta que o crédito com recursos livres para pessoa física, que já acumula expansão de 4,7% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do exercício passado, deve alcançar uma alta de 7% no fechamento de 2018 sobre 2017. Para 2019, a projeção da Acrefi é de nova evolução, de 9% a 12%. A pesquisa indicou, ainda, que 51% dos consumidores acreditam que na melhora da oferta de crédito e 54% estimam que o consumo também acompanhe essa expectativa.

Leia também:

Empresa pode abrir conta na internet

Inadimplência – Para o presidente da Acrefi, não se trata apenas de um aumento quantitativo no crédito para as famílias, mas também qualitativo. “Os consumidores têm buscado crédito de forma mais consciente, contribuindo, dessa forma, para uma redução do endividamento das famílias e estabilidade da inadimplência. Isso impacta em maior oferta do crédito pelas instituições financeiras, dentro de um contexto de maior responsabilidade e educação ao consumo”, avaliou.

Nesse sentido, Gonçalves defendeu a aprovação do Cadastro Positivo, incluída na agenda do Banco Central. Para ele, isso poderá aumentar consideravelmente a oferta de crédito no mercado. “Hoje são 16 milhões inscritos no cadastro, que na sua plenitude pode chegar a 100 milhões. Isso significa que teremos mais informações sobre como o consumidor se relaciona com o mercado financeiro e, isso, por sua vez, vai ajudar os bancos a decidir com maior segurança a oferta de crédito e a inadimplência vai diminuir porque o crédito adequando cumprirá seu papel”, analisou.

Para os juros e inflação, a pesquisa da entidade indica um cenário de juros que deve permanecer em torno de 6,5% e a inflação abaixo do teto da meta, em 4,4% (a meta é de 4,5%) neste ano. Em 2019, a Acrefi projeta uma inflação próxima de 4,2% e juros também da ordem de 6,5%.