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Daniela Maciel e Thaíne Belissa*

Segundo o Relatório sobre Mercado de Energias Renováveis 2018 da Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil apresenta a matriz energética menos poluente entre os grandes consumidores globais de energia, sendo a nação com maior participação de fontes renováveis. O País deverá somar quase 45% de fontes renováveis no consumo final de energia em 2023, principalmente em função da bioenergia nos transportes e na indústria e da hidreletricidade, no setor elétrico. Atualmente, esse percentual corresponde a 43%.

Para Nelson Colaferro, sócio-diretor e presidente do conselho administrativo da Blue Sol – empresa especializada no desenvolvimento de projetos, instalação de sistemas e capacitação de mão de obra para o setor de energia solar fotovoltaica, sediada em Ribeirão Preto (SP) -, o consumidor já entendeu que a energia fotovoltaica é uma forma limpa e que já se tornou interessante financeiramente gerar a própria energia.

“Os empreendimentos comerciais e industriais, o agronegócio e agora as pessoas físicas já estão adotando a produção de energia a partir do sol. O crescimento da Blue Sol mostra isso. O interesse do mercado financeiro também atesta essa realidade. Bancos como Santander e o Banco do Brasil já oferecem linhas de crédito especiais, que são pagas com a economia gerada. Nos últimos anos, as tarifas cobradas pelas companhias energéticas ficaram mais caras e isso, aliado ao barateamento da tecnologia, fez com que o retorno do investimento se tornasse muito atrativo”, explica Colaferro.

Estudos da AIE apontam que, já em 2018, o Brasil deve ter entrado para o seleto grupo dos 20 países com maior geração de energia solar, considerando-se a potência já contratada (2,6 GW) e a escala da expansão dos demais países (os dados do ano ainda não foram publicados). O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024) estima que a capacidade instalada de geração solar chegue a 8.300 MW em 2024, sendo 7.000 MW geração descentralizada e 1.300 MW distribuída. A proporção de geração de energia solar deve chegar a 1% do total. Atualmente, esse percentual não ultrapassa os 0,05%.

Entre as vantagens do sistema de geração de energia no ponto de consumo estão a minimização do desperdício durante a transmissão, a mitigação de custos com cabeamentos e equipamentos para recepção da energia, diluição dos custos de implantação pelos anos de vida útil do sistema, possibilidade de venda do excedente à concessionária local, além dos benefícios ambientais. A energia solar, além de limpa, faz com que outras fontes como a hidrelétrica e as de combustíveis fósseis sejam menos demandadas.

Críticas – Mas como nada é perfeito, claro que o sistema também padece com críticas. A principal delas é o custo ambiental e tem a ver com a matéria-prima utilizada nas placas: silício. A mineração do silício é considerada agressiva para o meio ambiente, especialmente solo e águas subterrâneas. Além disso, no caso da energia fotovoltaica, a desvantagem mais frequentemente apontada é o alto custo de implantação e a baixa eficiência do processo, que varia de 15% a 25%. Já para a energia heliotérmica é que, apesar de não exigir áreas tão extensas quanto as hidrelétricas, implica na supressão da vegetação.

“O uso da energia fotovoltaica ajuda a equilibrar o sistema e ‘segurar a água’ nos reservatórios. Cada uma das fontes tem os seus picos de produção, então podemos fazer um modelo híbrido, mais eficiente, mais barato e ambientalmente mais responsável”, pontua o empresário.

O potencial do mercado mineiro também faz brilhar os olhos do executivo da Blue Sol. Em março, a primeira unidade da empresa no Estado será inaugurada em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Até o fim do semestre, estará também em Montes Claros, no Norte de Minas; Uberlândia, no Triângulo; além da Capital. O investimento médio para a abertura de uma franquia fica entre R$ 120 mil e R$ 280 mil, de acordo com o porte da cidade escolhida.

“A chegada e o barateamento das baterias que armazenam a energia fotovoltaica vão resolver a questão da noite e dos dias sem sol. Isso será ainda melhor para os imóveis rurais, por exemplo, que precisam usar geradores a diesel, sempre caros e poluentes. Até o fim do ano, vamos trabalhar com essas baterias. Outro fato que vai dar, ainda, maior impulsão a esse mercado é a popularização dos carros elétricos. Tudo isso fomenta, também, um novo mercado de trabalho, com profissionais especializados para vagas qualificadas e com uma remuneração acima da média do que temos hoje”, completa o empreendedor.

TECNOLOGIAS

Fonte de energia e calor indispensáveis à vida na terra, a luz solar permite a geração de energia elétrica através de dois tipos diferentes de tecnologia: a fotovoltaica e a heliotérmica.

Energia Solar Fotovoltaica: é a transformação da radiação solar diretamente em corrente elétrica por meio das células fotovoltaicas, as quais compõem os módulos, ou placas fotovoltaicas, que ficam expostos sob a luz do sol. Essa tecnologia, além de ser utilizada em grandes projetos de usinas solares, hoje já se espalha por milhões de lares e comércios pelo mundo por meio dos chamados sistemas fotovoltaicos conectados à rede que integram a geração distribuída de energia.

Energia Solar Heliotérmica ou Energia Solar Térmica Concentrada: Essa tecnologia, restrita ao segmento de geração centralizada devido ao tamanho do projeto demandando, utiliza um grande número de espelhos coletores que refletem, de forma concentrada, a luz do sol a um ponto específico de uma grande torre central, aquecendo a altas temperaturas materiais específicos que com sua expansão ou vaporização, movimentam turbinas que geram a energia elétrica.

(DM e TB)