Podemos é mais um partido que sinalizou apoio à reforma da Previdência no Congresso, mas quer alterações no texto original - REUTERS/Ueslei Marcelino

Brasília – O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, e o Podemos anunciaram ontem que apoiam a reforma da Previdência. Enquanto o Podemos pede mudanças, principalmente em relação à aposentadoria dos professores, o PSL foi o único partido até agora a fechar questão e garantir os votos dos seus parlamentares para a proposta governista enviada ao Congresso Nacional

Após passar por um exame de endoscopia, programado para a manhã de ontem, no Hospital das Forças Armadas, Bolsonaro retomou o diálogo, no Palácio do Planalto, com dirigentes de partidos políticos em busca de apoio para a aprovação de medidas do governo, especialmente a reforma da Previdência.

Na semana passada, Bolsonaro se reuniu com presidentes e líderes do PRB, PSD, PSDB, DEM, PP e MDB. Na terça-feira (9), esteve com os presidentes do PR e do Solidariedade.

Mudanças – A presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), destacou que o partido tem uma posição de independência em relação ao governo, mas que apoia a reforma, desde que haja mudança no texto em relação à aposentadoria de trabalhadores rurais e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) paga a idosos em situação de pobreza.

Entretanto, um dos pontos prioritários para o Podemos é a questão dos professores. Para Renata, a nova Previdência pode ser um grande incentivo à educação e valorização dos professores.

“A reforma da Previdência tem que servir para a população e não para um governo e quando você fala de população, de futuro, isso passa pela educação. Hoje, só 2,7% dos jovens querem ser professores e isso pode impactar muito o futuro da nossa nação”, disse.

Renata contou que pediu ao presidente um estudo de impacto sobre a manutenção ou até melhoria da aposentadoria especial dos professores. Por causa das condições e ambiente de trabalho, considerados prejudiciais à saúde e a integridade física, hoje os professores têm um tempo menor de contribuição, de 25 anos para mulheres e 30 anos para homem.

No setor público, a idade mínima para professores se aposentarem também é de cinco anos a menos do que as regras gerais da aposentadoria, sendo de 50 anos para mulheres e 55 para homens. No setor privado, não há idade mínima.

A proposta do governo enviada ao Congresso Nacional prevê idade mínima de 60 anos com tempo de contribuição de 30 anos, sem distinção de gênero. As regras serão válidas para professores dos setores públicos e privados.

O Podemos também defende que a capitalização da Previdência seja retirada da reforma e discutida em outro momento para que a proposta avance em outros quesitos.

PSL – O presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), também esteve com Bolsonaro ontem e destacou a importância da reforma para o País. Para ele, o fechamento de questão em torno da reforma, com a orientação de que os parlamentares votem pela aprovação do texto do governo, é meramente simbólico.

“Nenhum parlamentar veio ao gabinete dizendo que é contra a reforma. O fato de ter feito questão fechada é simplesmente para que a gente demonstre que o Brasil precisa dessa reforma”, explicou.

Para Bivar, o fato de o governo não ter uma base aliada formada no Congresso não prejudica o andamento da reforma da Previdência.

“O que significa base aliada? Base aliada com as propostas do governo, isso que nós temos. E vejo boa vontade muito grande de todos dos partidos de estarem na mesma convergência que o Planalto. O que queremos é o melhor para o País”, disse. (ABr)

Novo anuncia que vai fechar questão

Brasília – O Partido Novo, que tem uma bancada de oito parlamentares na Câmara dos Deputados, informou ontem que fechará questão a favor da proposta de reforma da Previdência que tramita no Congresso Nacional. O fechamento de questão obriga os deputados do partido a votar a favor da proposta.

Dirigentes da legenda foram recebidos pelo presidente da República no Palácio do Planalto, como parte da série de reuniões que Bolsonaro vem tendo desde a semana passada com dirigentes partidários. Ao todo, Bolsonaro receberá dirigentes de 12 partidos.

“A bancada aqui, integralmente, apoia a reforma e se colocou à disposição do presidente para ajudar ainda mais nesse processo. Aproveitamos para elogiar, de fato, essa oportunidade e capacidade de diálogo, acho que é fundamental no Brasil de hoje”, disse o presidente do Novo, João Amoêdo, que foi candidato a presidente nas eleições de 2018 e participou da reunião.

Segundo Amoêdo, o partido não defenderá alterações no texto, como tem declarado representantes de alguns partidos no Congresso.

O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, também fechou questão a favor da reforma da Previdência. O dirigente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), também se reuniu com o presidente da República pela manhã e reafirmou o apoio total da legenda à proposta.

Base de governo – Apesar de apoiar totalmente a reforma da Previdência, o Partido Novo disse que não integrará a base de governo no Congresso Nacional.

Segundo João Amoêdo, a legenda manterá postura de independência, mas votará a favor de medidas que favoreçam maior liberdade econômica, simplifiquem impostos e desburocratizem a legislação para empreendedores.

“O Novo será sempre independente, mas claramente aquelas pautas que forem a favor do Brasil, a favor do crescimento, da gente realmente ajudar quem mais precisa, o Novo sempre votará a favor”, afirmou. (ABr)