Levantamento apontou ainda que o pessimismo alcança também a percepção dos investidores sobre o lucro das empresas - Crédito: Brendan McDermid / Reuters

Londres – Os investidores globais estão com a visão mais pessimista sobre a economia mundial desde a crise financeira de 2008, segundo a pesquisa mensal do Bank of America Merrill Lynch (BAML), que também mostrou uma queda acentuada nas alocações em ações dos Estados Unidos.

A pesquisa, divulgada ontem, foi realizada de 5 a 11 de outubro com investidores que gerenciam US$ 646 bilhões. A sondagem mostrou que os investidores continuam com posição overweight em ações, apesar de os 22% de overweight estarem apenas marginalmente distantes do recente recorde de baixa de 19%.

Mas em sinal de cautela, eles mantiveram em caixa 5,1%, acima da média de 4,5% de dez anos.

A pesquisa mostrou que 38% dos entrevistados esperam que a economia mundial desacelere, a pior perspectiva para o crescimento global desde novembro de 2008. Para 35% dos participantes, a guerra comercial é identificada como o maior risco.

Os investidores também estão pessimistas em relação ao lucro das empresas, com um quinto dos entrevistados esperando que os lucros globais se deteriorem no próximo ano, disse o BAML, observando que, em janeiro, 39% dos investidores esperavam uma melhora.

No foco da atenção dos investidores está a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos – os rendimentos dos Treasuries de dez anos atingiram máximas recordes em sete anos -, com a expectativa de mais aperto monetário e sinais de que a economia dos Estados Unidos (EUA) e os lucros das empresas poderiam desacelerar depois do impulso gerado pela redução dos impostos.

Todos esses receios estão entre os fatores que desencadearam uma queda repentina de Wall Street na semana passada, colocando o S&P 500 no caminho de sua maior perda mensal desde meados de 2015.

Há também preocupações com a esmagadora popularidade das grandes empresas de tecnologia, com a pesquisa do BAML mostrando que as ações de tecnologia dos EUA e da China permaneceram como as mais negociadas pelo nono mês consecutivo.

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Alocações em ações – A pesquisa mostrou uma dramática queda de 17 pontos percentuais nas alocações em ações dos EUA, para 4% líquido overweight, com o Japão derrotando os Estados Unidos como o mercado favorito dos investidores, com 18% overweight.

A queda nas participações acionárias europeias também continuou, com recuo de 6 pontos percentuais em outubro para o menor nível desde dezembro de 2016.

Os investidores continuam relutantes em desistir de ativos de maior risco, mantendo, no entanto, uma posição global underweight em títulos.

“Os investidores estão pessimistas em relação ao crescimento global, mas não pessimistas o suficiente para sinalizar algo que não seja uma recuperação no curto prazo dos ativos de risco”, disse o principal estrategista de investimentos do BAML, Michael Hartnett.

Em uma reviravolta interessante, 51% dos participantes da pesquisa classificaram o dólar como sobrevalorizado, “notadamente contra moedas de mercados emergentes”, destacou o BAML. (Reuters)