Desde o início dos reajustes quase diários, preço médio nas refinarias aumentou 59,5% - Foto: Charles Silva Duarte

Rio de Janeiro e São Paulo – A Petrobras anunciou na quinta-feira (6) que terá a opção de adotar um mecanismo hedge para os preços da gasolina, podendo mantê-los congelados nas suas refinarias por até 15 dias sem incorrer eventualmente em perdas, uma vez que utilizará contratos futuros do combustível nos EUA como proteção das cotações.

O mecanismo, que foi recebido com ressalvas por analistas de mercado, que temem retrocessos sobre a política de preços, ocorre em meio a valores recordes da gasolina nas refinarias da Petrobras, que refletem a disparada do dólar e uma alta nos preços do petróleo no exterior.

A opção do uso do hedge foi aprovada pela diretoria da petroleira na quarta-feira e já está válida.

O anúncio, ressaltaram executivos da Petrobras, não implica em qualquer mudança na política de preços da empresa, pouco mais de um ano depois de a companhia adotar uma sistemática de reajustes quase diários, em linha com o mercado internacional e o câmbio.
Desde o início dos reajustes quase diários, o preço médio da gasolina nas refinarias da Petrobras acumulou uma alta de 59,5%. Atualmente, o valor médio está em R$ 2,2069 por litro, valor que foi mantido na sexta-feira pelo terceiro dia seguido.

“A política de preços da Petrobras não mudou, a gente está mantendo a paridade de importação, temos a opção de seguir (o reajuste) diário, desde que isso não se traduza em uma volatilidade excessiva”, disse a jornalistas o diretor-executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores, Rafael Grisolia, em uma coletiva de imprensa sobre o tema no Rio de Janeiro.

“Quando a volatilidade do mercado estiver muito excessiva, a gente poderá utilizar essas opções.”

Os princípios de preço de paridade internacional (PPI), margens para remuneração dos riscos inerentes à operação e nível de participação no mercado continuam em vigor, assim como a correlação com as variações do preço da gasolina no mercado internacional e a taxa de câmbio, explicou Grisolia.

O diretor-executivo de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, disse que a compra dos derivativos de gasolina no mercado futuro norte-americano será realizada assim que for visualizada uma volatilidade importante no mercado.

O executivo citou como um exemplo de fenômeno que gerou volatilidade a tempestade tropical Gordon, que impactou recentemente as referências internacionais do petróleo.
“O que essa ferramenta está tirando é a volatilidade. Se existe uma tendência de aumento, ela tira essa variação, mas o delta no final dos períodos se mantém”, disse Celestino.

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Pressão social – A medida ocorre depois que uma greve histórica de caminhoneiros em maio contra os altos preços do diesel causou sérios danos à economia brasileira e forçou o presidente Michel Temer a cortar os preços do combustível por meio de um programa de subsídios.

Questionados sobre o momento escolhido para adotar a medida com a gasolina, se ela estaria relacionada a pressões sociais, vindas do cenário de eleições e após as manifestações de caminhoneiros, o diretor de refino não respondeu diretamente e defendeu que a decisão faz parte de uma evolução da política de preços.

“Obviamente aprendemos com sinais que outros agentes têm encaminhado para a Petrobras… Na verdade, isso é uma trajetória de sofisticação da política de preços da Petrobras, que permanece mantida.”

Anteriormente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) chegou a fazer uma consulta pública sobre a possibilidade de estabelecer por meio de resolução um período mínimo para o repasse ao consumidor dos reajustes dos preços dos combustíveis, o que foi descartado posteriormente. (Reuters)