Créditos: REUTERS/Paulo Whitaker

Rio – A Petrobras anunciou ontem um aumento de 4,8% no preço médio do diesel em suas refinarias, após ter cancelado uma alta de 5,7% no combustível na semana passada, em polêmica que envolveu o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o site da empresa, o valor médio do diesel nas refinarias a partir desta quinta-feira será de R$ 2,2470 por litro, ante R$ 2,1432/litro até ontem, valor que vigorava desde 22 de março.

O reajuste foi divulgado pelo site da Petrobras quase que simultaneamente a uma entrevista coletiva de seu presidente, Roberto Castello Branco, na qual o executivo falou sobre o assunto. “Nós continuamos a observar rigorosamente preços alinhados com o preço internacional”, afirmou o CEO, ressaltando que a periodicidade mínima de 15 dias para o ajuste do diesel está mantida.

“Nossa política é essa e vai continuar a ser”, disse, destacando a independência da companhia.

As declarações foram dadas após o mercado ficar preocupado sobre a autonomia da estatal, depois de a empresa cancelar uma elevação no diesel na semana passada, após ligação de Bolsonaro para o presidente da petroleira, alegando temores de uma possível greve de caminhoneiros.

Castello Branco disse ainda que, “pela primeira vez, foi reafirmada a independência da Petrobras para praticar preços”, e que a empresa “ganhou com operação de hedge no preço do diesel.”

Apesar do reajuste do preço, o executivo indicou não temer uma nova paralisação dos caminhoneiros.

“O risco de greve de caminhoneiros agora é baixo, depois de uma ação do governo na direção certa”, comentou Castello Branco, citando anúncios feitos na véspera por ministros sobre uma linha de crédito para manutenção dos veículos e recursos para melhorias em estradas.

Comunicado – Em comunicado, a Petrobras justificou mais detalhadamente a alteração no valor do combustível.

“O reajuste levou em consideração os mecanismos de proteção, através dos derivativos financeiros, e as variações de demais parcelas que compõem o Preço Paridade Internacional (PPI) com destaque para redução recente do frete marítimo”, disse a empresa.
“A Petrobras reafirma a rigorosa observância do alinhamento de seus preços com a paridade internacional.”

Privatização – Ontem, o diretor financeiro da estatal, Rafael Grisolia, afirmou que a companhia, controladora da BR Distribuidora, muito provavelmente reduzirá fatia na empresa de combustíveis para menos de 50%.

A BR Distribuidora está entre os ativos que a Petrobras pretende vender para reduzir suas dívidas e ampliar investimentos no setor de exploração e produção de petróleo, e a estatal já contratou nove bancos para coordenar a operação, segundo informou a Reuters nesta semana com fontes familiarizadas com o assunto.

“A questão é que hoje a gente tem uma participação de 71% e, muito provavelmente, ainda está sob aprovações internas. A gente vai reduzir essa participação abaixo de 50%”, declarou ele a jornalistas.

Mas Grisolia destacou que a Petrobras continuará sendo sempre um acionista relevante da BR.

A companhia tem discutido se a oferta de ações precisaria ser submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU) no caso de significar uma privatização.

Segundo Grisolia, que deverá assumir o posto de presidente-executivo da BR, a empresa de combustíveis teria mais valor se fosse desestatizada e poderia tomar decisões de maneira mais ágil em um mercado competitivo.

“Acho que a gente pode trazer valor para a própria Petrobras e para os acionistas da BR… com relação a uma redução de participação que caracterizaria de repente a BR deixar de ser estatal… Ela precisa ter agilidade para competir com os investidores”, afirmou Grisolia, citando Raízen e Ipiranga como as principais concorrentes. (Reuters)