Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

Rio – O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% em 2018, segundo cálculos divulgados ontem pelo Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV). É a mesma taxa de expansão apresentada em 2017.

A alta foi puxada principalmente pelos serviços, que se expandiram 1,3% no ano. A indústria e a agropecuária também tiveram avanços, ainda que mais moderados, de 0,4% e 0,6%, respectivamente.

Entre os serviços, aqueles que mais se destacaram em 2018 foram os imobiliários (3,1%), comércio (2,1%) e transportes (2%). Os serviços de informação foram os únicos que apresentaram queda (-0,1%).

Já entre os segmentos da indústria, foram registradas altas na eletricidade (1,4%), transformação (1,3%) e extrativa mineral (1,1%). A construção teve queda de 2,4%.

Sob a ótica da demanda, o destaque ficou com a formação bruta de capital fixo, isto é, os investimentos, que cresceram 3,7% no ano de 2018.

O consumo das famílias avançou 1,8% e o consumo de governo, 0,2%. As exportações tiveram alta de 4%, inferior ao crescimento de 8,1% das importações.

No último trimestre do ano, o PIB ficou estável na comparação com o trimestre anterior e cresceu 1% na comparação com o último trimestre de 2017.

O desempenho oficial do PIB é medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que só deve divulgar o resultado de 2018 no próximo dia 28.

Antecedente – O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV e o The Conference Board (TCB) divulgaram ontem que o Indicador Antecedente Composto da Economia (Iace) aumentou em 2,9% na comparação com dezembro, chegando a 118,8 pontos. Das oito séries que o compõem, sete contribuíram para a alta.

O destaque são os índices de expectativas da indústria e de serviços, que tiveram expansão de 6,1% e 5,6%, respectivamente.

Já o índice que mede as condições econômicas atuais – o indicador coincidente composto da economia (ICCE) – cresceu 0,3% em janeiro, avançando para 103 pontos.

Expectativas favoráveis – O aumento mostrou que o Brasil está vivendo um período de expectativas bem favoráveis, avaliou o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC Brasil) do Ibre/FGV, professor Paulo Picchetti.

Segundo Picchetti, o crescimento econômico está condicionado à aprovação das reformas e que, “embora se acredite que serão aprovadas,“existe sempre uma incerteza associada”. Para o coordenador, as reformas são necessárias para sinalizar que não vai haver uma nova recessão,

De acordo com ele, o resultado do mês evidenciou ainda que os dois indicadores estão subindo, mas que o antecedente sobe com mais força.

“Esse indicador é derivado de algumas expectativas das próprias sondagens da FGV e de expectativas do mercado financeiro e do mercado futuro de juros, que, historicamente, correlacionam bem o que vai acontecer com o ciclo alguns meses à frente.” Para o professor, o ICCE já mostra a “história de recuperação da economia que o país está vivendo no momento”, embora o ritmo da retomada ainda seja “bem lento”.

Índices – O Iace é composto pelos índices de expectativas das sondagens da indústria, de serviços e do consumidor; índice de produção física de bens de consumo duráveis; índice de ‘quantum’ de exportações; índice de termos de troca; Ibovespa; e taxa referencial de swaps DI pré-fixada – 360 dias. Swap é um instrumento financeiro que objetiva reduzir riscos.

O ICCE é constituído pelos componentes: índice de produção física da indústria; consumo de energia elétrica na indústria; índice de volume de vendas do comércio varejista; expedição de papel e papelão ondulado; número de pessoas ocupadas; e rendimento médio real do trabalho assalariado.

O ‘The Conference Board’ (TCB) é instituição independente de âmbito global para realização de pesquisas e seminários sobre negócios. Os próximos resultados do Iace e ICCE estão previstos para 18 de março. (ABr)